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Na sessão ordinária desta terça-feira (23), o vereador Manoel Filho (PL) defendeu que o combate à exploração sexual de crianças e adolescentes deve passar pela escola. Embora não tenha usado o termo “educação sexual”, foi exatamente isso que propôs ao afirmar que professores e gestores escolares precisam orientar estudantes para reconhecer situações de abuso.
Durante sua fala, Manoel Filho lembrou que a conscientização não pode se restringir ao Maio Laranja, mês dedicado ao enfrentamento do abuso sexual, mas precisa acontecer de forma contínua e, sobretudo, nas unidades escolares.
Em sua defesa, o vereador destacou que, muitas vezes, a criança não encontra espaço para dialogar em casa e acaba recorrendo à escola como um ambiente de confiança. “A criança deve ser orientada, instruída, para que saiba discernir quando está sendo abusada. E às vezes tem muitos pais que não dialogam com seus filhos, e a criança tem medo de falar com os pais. Muitas vezes está sendo abusada pelo tio, pelo vizinho, pela cuidadora, até pelos avós, infelizmente, acontece. E a criança, às vezes, acha que aquilo é normal e, quando chega à fase adulta, você vê muitas pessoas traumatizadas, sofrendo, e só então descobrem que foram abusadas”, disse.
Para Manoel Filho, esse é um dos motivos pelos quais a escola deve assumir papel central na proteção. “A criança, às vezes, tem mais abertura de falar com o professor, com a tia na escola, do que com o pai, com a mãe. Por isso é muito importante que essa conscientização parta de dentro das escolas, que haja essa conscientização diariamente. Então a escola, os professores, a coordenação pedagógica têm que trazer esta orientação aos pais, aos cuidadores, mas também às crianças, que são o alvo do inimigo. Vários casos têm acontecido aqui na nossa cidade”, afirmou.
A fala chama atenção por destoar da postura do seu partido, o PL, que tem usado a bandeira da suposta “ideologia de gênero” para barrar qualquer discussão sobre educação sexual nas escolas. Esse discurso do PL e outros partidos de direita, sustentado por desinformação e fake news, tem gerado medo nos pais e dificultado políticas de prevenção contra a pedofilia. Na mesma linha, beneficia abusadores, porque dificulta identificação de situações de violência.
O vereador também destacou a gravidade da situação em Camaçari, onde, segundo ele, já foram registradas mais de 17 mil denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes. “É um absurdo. A cada momento, nesta cidade, tem alguma criança, algum adolescente sofrendo abuso, exploração sexual”, alertou.
Ele defendeu ainda a união entre poder público, sociedade civil e igrejas para criar políticas que fortaleçam a proteção da infância. “Nós precisamos implantar com urgência, na nossa cidade, o combate contra a exploração sexual das crianças e dos nossos adolescentes. (…) Diga não à pedofilia”, declarou.
Vale lembrar que a educação sexual não se trata de “ensinar sexo” a crianças, como sugerem fake news espalhadas em debates políticos. Na verdade, significa orientar de forma adequada à idade sobre intimidade individual, a proteção ao corpo, os limites, o respeito, a prevenção de abusos e o direito de dizer não. É justamente esse tipo de informação que permite que crianças e adolescentes reconheçam situações de violência e peçam ajuda. Em outras palavras, exatamente o que Manoel Filho está defendendo.

