Uma mudança de planos que aconteceu há 20 anos vai trazer alívio para servidores públicos do Rio Grande do Sul no final desse ano. Um acordo entre o governo do Rio Grande do Sul e a Ford vai finalizar um entrave jurídico que durou 16 anos entre o Estado e a montadora. O Estado receberá R$ 216 milhões e usará para pagar parte dos salários dos servidores que está sendo parcelada há quase dez meses. A briga judicial foi motivada pela mudança de planos da Ford, que abandonou o projeto de se instalar no Rio Grande do Sul e veio para a Bahia.
O processo contra a montadora foi movido em 2000 pelo então governador gaúcho, Olívio Dutra (PT), após a montadora desistir de construir uma fábrica de carros em Guaíba, na Grande Porto Alegre. A montadora americana havia se comprometido a instalar a unidade em 1998, após negociações com o então governador Antônio Brito (PMDB), que estabelecia vários benefícios fiscais, incluindo empréstimo subsidiado de R$ 210 milhões pelo Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul).
Mas, no ano seguinte, com a derrota de Brito ante Dutra na eleição, o novo governador decidiu rever o acordo e suspender parte dos benefícios, o que levou a Ford a desistir do projeto. O governador baiano da época, Antonio Carlos Magalhães não perdeu a oportunidade e publicou anúncios em jornais convidando a Ford para trazer a fábrica para o Estado. Para isso, ofereceu benefícios superiores ao do governo do Rio Grande do Sul, atraindo o projeto para Camaçari, onde hoje existe um complexo que reúne a fábrica de carros e diversos fornecedores de componentes.
O problema é que a Ford já havia recebido R$ 42 milhões do Banrisul e o Estado também havia bancado obras de infraestrutura no terreno. Para não ficar no prejuízo, o governador foi à Justiça. Demorou 16 anos, mas o ressarcimento será feito. E, em um momento mais que oportuno.
O acordo foi confirmado essa semana pela montadora através de nota.
