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EXCLUSIVO: Economista ensina como não ser prejudicado pelo fechamento do Bradesco em Camaçari

Agências do Bradesco localizada na Av. 28 de Setembro, em Camaçari (Foto: Reprodução/Google Maps)
Agências do Bradesco localizada na Av. 28 de Setembro, em Camaçari (Foto: Reprodução/Google Maps)

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Agências do Bradesco localizada na Av. 28 de Setembro, em Camaçari (Foto: Reprodução/Google Maps)

O anúncio do fechamento de uma das duas agências do Bradesco em Camaçari – justamente a maior e mais bem localizada – gerou insegurança entre os moradores e despertou alerta em autoridades municipais sobre a qualidade do atendimento bancário na cidade. Com apenas uma unidade do banco restando, clientes temem filas maiores, lentidão no serviço e dificuldade de resolver problemas cotidianos de forma presencial.

Para ajudar a população a lidar com essa mudança, o Camaçari Fatos e Fotos entrevistou a economista e educadora financeira Natália Maria, que ensinou alternativas e cuidados para se livrar de possíveis transtornos. A matéria é longa, mas se você está preocupado com o fechamento da agência, vale a pena ler.

Depender de banco físico? Não mais

Para começar, é importante saber que o cliente não é obrigado a permanecer no banco. Antigamente, abrir uma conta em banco exigia muito tempo e documentos. Além disso, ter uma conta no mesmo banco por muitos anos poderia significar segurança e benefícios, mas, como explica Natália, hoje em dia o cliente tem total liberdade para escolher onde quer ter conta e como prefere ser atendido. E as possibilidades são grandes.

“Não é necessário ficar dependendo de um banco físico para tudo, principalmente porque não está no nosso controle se a instituição vai encerrar ou não as atividades presenciais. Se o banco não abrir um posto de atendimento ou se o posto não for suficiente, existe hoje a possibilidade das pessoas abrirem contas em bancos digitais”, explica Natália, que foi bancária durante cinco anos.

Nesse cenário de intransigência do Bradesco, os bancos digitais podem, de fato, ser uma solução prática. “São instituições financeiras reconhecidas pelo Banco Central, com a diferença de que funcionam online, sem agência física. Você tem o mesmo tipo de segurança e produtos bancários, só que faz tudo pelo aplicativo ou internet banking, ou por telefone”, completa a especialista.

Bancos digitais: como funcionam

De acordo com Natália, os bancos digitais surgiram para aumentar a competitividade no mercado, oferecendo tarifas menores e serviços sem anuidade, por exemplo. “São instituições que são regulamentadas pelo Banco Central, passam por todas as regras que os bancos físicos passam também. Então, tem toda uma questão de segurança ali envolvida. A única diferença é o atendimento.”, afirma.

Sobre a relação direta com o gerente e o hábito de ir à agência, a economista pondera: “Tem quem goste de conversar com o funcionário, levar um chocolate, fazer do banco um passeio. Porém, se a agência fecha, o cliente pode encarar como um incentivo para experimentar novas formas de atendimento que podem ser até mais rápidas”.

A pedido do CFF, Natália listou três bancos digitais seguros: o Banco Inter, que se destaca como primeiro e maior banco digital do Brasil; o C6 Bank, que oferece um programa de cartão de crédito e milhas famoso; e o Banco Sofisa, que se destaca pela diversidade e facilidade de fazer investimentos.  Todos eles oferecem a facilidade de resolver tudo do sofá de casa, pelo celular. Desde abrir a conta, até resolver pendências, tudo pode ser feito pelo aplicativo; e se o cliente precisar falar com um atendente, pode ligar para o banco, com a vantagem de ter um horário de atendimento estendido, geralmente das 8h às 20h, sendo que alguns bancos digitais oferecem atendimento 24h.

Vale ressaltar que Nubank, Pagbank, Picpay e outras empresas do tipo, não são bancos, são instituições de pagamento. Elas não cumprem todas as regras do Banco Central para ganharem o status de banco, mas também permitem movimentações básicas.

Salários e consignados

Uma preocupação comum é sobre o recebimento de salários via Bradesco. O que fazer se a agência mais acessível fechar? “Se o trabalhador quiser continuar no Bradesco, ele consegue resolver tudo pelo aplicativo, que o banco também tem. Não precisa mudar só porque a agência fechou. Mas, se estiver insatisfeito com a qualidade do serviço ou desejar experimentar outro banco, é possível fazer a portabilidade de salário”, conta a especialista Natália.

A portabilidade consiste em abrir uma conta em outra instituição (física ou digital) e solicitar que o dinheiro seja transferido automaticamente assim que cair no Bradesco. “Isso é garantido por lei, e o banco de origem não pode se recusar. Ou seja, a pessoa não depende de ter uma agência física do Bradesco para receber seu salário onde preferir”, esclarece.

O mesmo vale para quem tem empréstimos e consignados, já que o valor da parcela é descontado diretamente na folha de pagamento. Se o servidor ou trabalhador optar pela portabilidade, a instituição anterior continua recebendo a parcela do consignado e envia o valor líquido para o novo banco. “Isso aí vai variar um pouquinho de instituição para instituição, mas não é um impeditivo você ter um consignado para trocar de instituição bancária. A partir do momento que você pede uma portabilidade, todos os seus produtos e serviços vão ser direcionados para a instituição nova”, garante a economista.

Além dos débitos, o histórico de relacionamento do cliente também pode ser levado para outra instituição financeira.

“Hoje em dia, a gente tem também a figura do Open Finance, que é, na verdade, a abertura das suas finanças. O que é que significa? Você leva a sua vida financeira para o banco que você quer ficar. Então, é tempo de conta, é o seu cadastro, como uma pessoa que toma empréstimo, qual é a sua elegibilidade para produtos e serviços. Tudo vai ser similar no outro banco”, revela Natália

Como se prevenir contra golpes

Entre os medos de quem resiste a migrar para bancos digitais, o principal é cair em golpes. Mas, como explica a educadora financeira, se proteger é bem mais fácil do que parece. A seguir, a lista de cuidados básicos:

– Nunca forneça senhas ou dados pessoais por telefone ou mensagem a terceiros, mesmo que digam que é do banco.

– Não abra links suspeitos e não siga orientações de  mensagens sobre compras que não foram feitas.

– Confira o extrato e a fatura do cartão com alguma frequência, procurando movimentações estranhas.

– Use cartões virtuais para compras online, válidos apenas para aquela transação.

– Se atender alguma ligação dizendo ser do banco, desligue e ligue para o número oficial do banco (aquele que está no verso do cartão ou no site oficial).

“É fundamental desconfiar de qualquer contato que não partiu de você. O banco dificilmente liga pedindo informações sensíveis. E mesmo se ligar, você pode retornar para a central oficial, garantindo a legitimidade do contato”, orienta Natália.

Migrar para outros bancos tradicionais

Além dos bancos digitais, que são uma opção mais prática e rápida, vale lembrar que em Camaçari, ainda há opções de agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica. Para Natália, quem prefere um banco físico pode considerar a migração para essas instituições, caso se sinta mais confortável com atendimento presencial. “A portabilidade de salário vale também para bancos tradicionais. Se o cliente julgar que o Banco do Brasil ou a Caixa é melhor para seu perfil, pode solicitar a mudança sem problemas.”

Para Natália, a saída de uma agência local, embora incômoda, pode ser vista como chance de explorar alternativas mais vantajosas. “Às vezes, só tomamos a iniciativa de mudar de banco quando algo nos afeta diretamente. Esse pode ser o momento de descobrir um serviço bancário que se adapte melhor ao nosso estilo de vida, seja ele digital ou outra agência física”, conclui Natália.

Agências do Bradesco localizada na Av. 28 de Setembro, em Camaçari (Foto: Reprodução/Google Maps)

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