Um discurso de Luciano Hang durante a inauguração de uma loja da Havan em Caldas Novas, no sul de Goiás, virou alvo de uma ação civil pública do Ministério Público do Trabalho em Goiás (MPT-GO). O órgão acusa o empresário e a rede varejista de assédio eleitoral e levou o caso à Justiça do Trabalho, em Goiânia.
A manifestação ocorreu no fim de agosto, durante um evento que contou com a presença de trabalhadores recém-contratados para a unidade. Conforme a ação, Hang fez críticas a pautas trabalhistas e relacionou as escolhas eleitorais dos funcionários a possíveis impactos sobre suas vidas profissionais.
Na avaliação apresentada pelo MPT, o discurso teria criado uma associação entre o voto dos trabalhadores e consequências como demissões, perda de renda e precarização profissional. O órgão afirma que esse tipo de abordagem interfere na liberdade de escolha política dos colaboradores e caracteriza coação.
O que o MPT quer
Na Justiça, o Ministério Público pede que Havan e Luciano Hang sejam condenados ao pagamento de R$ 30 milhões por danos morais coletivos.
A ação também prevê pedidos de reparação individual. O MPT solicita que cada trabalhador atingido receba uma indenização de pelo menos 20 vezes o último salário.
Além das indenizações, o órgão quer que Hang faça uma retratação pública por meio de vídeo, com prazo de até 48 horas para a gravação. Também pede que os funcionários sejam liberados para votar nos dias de eleição e que a Havan adote regras permanentes de neutralidade política em suas lojas.
Empresário diz que tem direito de opinar
A ação foi divulgada pelo Ministério Público de Goiás nesta quinta-feira, 17. Em nota, Luciano Hang afirmou que tem direito de manifestar sua opinião e disse que falava sobre a liberdade de poder trabalhar.
O empresário também declarou que a Justiça “não pode ter lado” e não deve “prejudicar quem gera empregos no país”. Segundo Hang, ele sofre perseguição desde 2018 por causa de seus posicionamentos públicos.

