O líder do governo na Câmara de Camaçari, vereador Tagner Cerqueira (PT), afirmou que o discurso de pacificação no Legislativo precisa ir além dos gestos simbólicos. A declaração foi dada ao Camaçari Fatos e Fotos, agora JornalCFF, em referência à Sessão de Abertura dos Trabalhos Legislativos de 2026, realizada na terça-feira (24), quando o presidente da Casa, Niltinho Maturino (PRD), pediu que os 23 vereadores dessem as mãos em um ato público de união.
Dois dias depois, na primeira sessão ordinária do ano, o clima percebido já foi diferente. Para Tagner, o chamado à harmonia precisa ser traduzido em prática institucional.
“A gente precisa sempre trabalhar e entregar a paz, mas não pode ser da boca para fora, tem que ser na prática. Eu elogiei o gesto do presidente e disse a ele que ele colocasse em prática o equilíbrio da casa, o respeito por todos os vereadores”, afirmou.
Segundo ele, o tratamento entre os parlamentares deve ser isonômico. “Aqui todo mundo é igual, os 23 vereadores todos são iguais. Não há diferença de um para o outro. Então, espero que ele coloque isso em prática.”
Flávio Matos
Ao ser questionado se percebia diferença em relação à legislatura passada, Tagner fez uma avaliação direta da presidência exercida por Flávio Matos, “Na gestão anterior, a presidência da Câmara tinha uma atenção melhor aos vereadores. Eu era oposição, viu? Era respeitado como oposição”, declarou.
Matos, à época filiado ao União Brasil e aliado do ex-prefeito Elinaldo Araújo, comandou a Casa em um cenário distinto do atual. Na legislatura anterior, a bancada de oposição era numericamente menor, com o poder político totalmente concentrado das mão do “time azuk”. Ainda assim, segundo Tagner, havia mais espaço institucional para o contraditório.
“A gestão de Flávio respeitou muito mais a bancada de oposição do que essa gestão de agora. Isso, que agora tem uma bancada bem maior”, pontuou.
Equilíbrio numérico e tensão política
Hoje, a Câmara de Camaçari está dividida de forma praticamente simétrica: são 23 vereadores, sendo 11 alinhados ao grupo político do ex-prefeito Elinaldo e 11 ligados à base do prefeito Luiz Caetano. O presidente, por prerrogativa regimental, deve ter posicionamento neutro. No entanto, Niltinho tem deixado claro seu alinhamento à direita desde o início da gestão.

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