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SPC: Quase 40 milhões apostaram online no último ano; 29% já se endividaram por jogo

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Nos últimos 12 meses, quase 40 milhões de brasileiros colocaram dinheiro em bets, segundo pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

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A explosão das plataformas de apostas online transformou o Brasil em um dos maiores mercados de jogos digitais do mundo. Nos últimos 12 meses, quase 40 milhões de brasileiros colocaram dinheiro em bets, segundo pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil. O número representa cerca de um terço dos consumidores que fazem compras pela internet.

O dado mais preocupante, porém, é o impacto financeiro: 29% dos apostadores já se endividaram para continuar jogando. Isso significa que mais de 7,5 milhões de brasileiros comprometeram parte da renda com apostas, deixando de pagar contas ou acumulando dívidas.

O estudo mostra ainda que 41% abriram mão de algum consumo para manter o hábito de apostar. Entre os entrevistados, 17% afirmaram ter atrasado contas essenciais, e 29% já tiveram o nome negativado por débitos ligados ao jogo.

O gasto médio mensal com bets é de R$ 187, variando de acordo com a renda. Nas classes C, D e E, o valor gira em torno de R$ 152. Já nas classes A e B, chega a R$ 255.

Para além do dinheiro

Mas o impacto das apostas vai além das finanças. A pesquisa aponta que 28% dos jogadores relatam efeitos emocionais e comportamentais, como irritação, conflitos familiares, ansiedade e tristeza. Para 7% dos entrevistados, o hábito de apostar afetou o rendimento no trabalho ou nos estudos.

Especialistas alertam que o vício em jogos é uma condição reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), podendo levar à perda de controle sobre gastos, dependência e prejuízos graves às relações pessoais e à saúde mental.

Apesar do crescimento do setor e da presença constante de influenciadores e atletas em campanhas publicitárias, a população demonstra resistência: seis em cada dez entrevistados dizem ver de forma negativa o uso de celebridades para promover casas de aposta, e 41% já deixaram de seguir perfis que fazem divulgação do setor.

Entre as medidas defendidas pelos consumidores estão campanhas de conscientização sobre riscos, restrição da publicidade para jovens e fiscalização mais rígida da operação das plataformas.

Para os pesquisadores, o avanço das bets no Brasil exige atenção do poder público. A regulamentação do setor, em discussão no país, deve levar em conta não apenas a arrecadação, mas também a proteção do consumidor, especialmente entre jovens e famílias que podem ver sua renda comprometida.

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