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Reuters questiona Lula sobre operação no Rio: “Desastrosa”

Presidente Lula no Palácio do Planalto
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

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Durante as atividades da COP30, em Belém, nesta quarta-feira (5), não foram só as definições sobre o meio ambiente que entraram na pauta. Repórteres internacionais aproveitaram o evento para questionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Operação Contenção, que deixou cerca de 130 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro.

Em matéria publicada em inglês, no mesmo dia, a Reuters descreveu o episódio como um desafio político para o presidente Lula, que, segundo a agência, tenta equilibrar a defesa dos direitos humanos com o crescente apoio popular a ações policiais mais violentas.

Em resposta aos jornalistas, Lula classificou a operação como “desastrosa” e afirmou que o objetivo judicial da ação foi desvirtuado. “A ordem do juiz era para serem cumpridos mandados de prisão, não uma ordem de matança”, disse o presidente. “E houve uma matança.”

Segundo a agência, Lula não havia sido informado previamente sobre os detalhes da ofensiva e estava em um voo de volta da Malásia, sem acesso à internet, quando os confrontos aconteceram. A Reuters afirma que, desde então, o governo federal tem agido com cautela: “O governo não pode assumir a operação, mas também não pode apoiar o massacre”, relatou uma fonte ouvida pela reportagem.

A ação mobilizou cerca de 2.500 agentes e se tornou a mais letal já registrada no estado. Moradores relatam que dezenas de corpos foram encontrados na mata, muitos com sinais de rendição ou execução. O governo do Rio, no entanto, defendeu a atuação das forças de segurança. Em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal, a administração estadual afirmou que a polícia empregou “força proporcional” e que “nenhuma morte foi registrada entre indivíduos fora da organização narco-terrorista”.

Apesar das denúncias, pesquisas citadas pela Reuters mostram apoio significativo à operação. Um levantamento do instituto AtlasIntel aponta que 55% dos brasileiros aprovam a ação, número que sobe para 62% entre moradores do estado do Rio. “Um bom criminoso é um criminoso morto”, afirmou à Reuters o porteiro Adeilton da Silveira, de 65 anos, morador de Copacabana. “Se eles fizessem algo assim toda semana, os criminosos iam ficar com medo”, afirmou ele, que mora bem longe das famílias atingidas.

O governador Cláudio Castro (PL), responsável pela operação, viu sua aprovação subir após o episódio. Ele recebeu apoio público de governadores aliados, incluindo Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais. Em entrevista à Reuters, Zema afirmou: “A experiência de El Salvador mostra que mudanças significativas são possíveis, mas dependem de ter um governo disposto a agir.” Segundo ele, os mortos na operação “tiveram a chance de se render, de se entregar, e só não se salvaram aqueles que não quiseram”. A fala admite, nas entrelinhas, a execução sumária.

Mas nas comunidades atingidas, o clima é outro. “A consequência é mais violência”, disse Paulo Henrique Machado Cruz, 54 anos, atendente de estacionamento e morador da Penha. “Você não resolve o problema, você só piora. Você traumatiza a comunidade, assusta as crianças, destrói famílias.”

Diante da repercussão, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, esteve no Rio para uma reunião emergencial com representantes do governo estadual, Ministério Público e Defensoria. O encontro pode resultar na abertura de uma investigação independente sobre as circunstâncias das mortes.

Enquanto isso, familiares continuam identificando corpos.

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