
Sete dias após a inauguração oficial da fábrica da BYD em Camaçari, o Sindicato dos Metalúrgicos denunciou um novo episódio de desrespeito a direitos trabalhistas na planta da montadora chinesa. Segundo o presidente da entidade, Júlio Bonfim, funcionários foram impedidos de deixar o local após o fim do expediente na noite de quinta-feira (16), sendo obrigados a permanecer por mais de uma hora dentro das dependências da empresa.
A denúncia foi publicada pelo presidente do sindicato, nas redes sociais, no mesmo dia. Ele classificou a situação como “um absurdo” e comparou o episódio a “cárcere privado dentro do trabalho”.
De acordo com o relato, o turno regular terminava às 18h, mas os trabalhadores só puderam deixar a fábrica por volta das 19h. “Muitos ficaram retidos por mais de uma hora, sem transporte, e alguns só chegaram em casa por volta das 21h, mesmo com jornada encerrada às 18h”, informou a publicação. O incidente teria acontecido, ainda segundo Bonfim, após a empresa propor a realização de horas-extras e a maioria dos trabalhadores se recusar ao turno estendido.
O sindicato afirma ainda que a empresa vem impondo horas extras abusivas e jornadas que ultrapassam o limite de 48 horas semanais previsto na CLT, além de propor mudanças ilegais nos intervalos de refeição. Segundo a entidade, lideranças da própria BYD teriam sugerido reduzir o tempo de pausa para o segundo turno de trabalho, oferecendo apenas 40 minutos de intervalo em vez do período mínimo previsto por lei.
“O trabalhador não é escravo, nem máquina”, declarou o Sindicato dos Metalúrgicos em nota. “Se a BYD não corrigir imediatamente essas falhas e não mudar o tratamento com os trabalhadores, o Sindicato mobilizará um grande ato de protesto em defesa da dignidade e dos direitos da categoria.”
Ainda na fase de obras, a BYD havia sido processada pelo Ministério Público do Trabalho por trabalho análogo à escravidão e tráfico humano, quando 220 trabalhadores chineses foram encontrados nas dependência da fábrica, em condições degradantes e sem documentação adequada. Na época, a empresa se comprometeu a seguir a legislação brasileira e cumprir com as normas de condições de trabalho e remuneração.
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