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Trump envia centenas de tropas à América Latina e amplia ofensiva militar na região

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Trump discursa para militares do Exército dos EUA. Militares mortos; Guerra Economica (Foto: BRENDAN SMIALOWSKI/AFP)

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O governo de Donald Trump iniciou o deslocamento de integrantes de um batalhão de 600 soldados do Exército dos Estados Unidos para a América Latina, em mais um passo da expansão da presença militar norte-americana na região.

A informação foi revelada nesta quarta-feira (14) pelo The New York Times, em reportagem de Eric Schmitt, Greg Jaffe e Annie Correal, baseada em entrevistas com autoridades militares dos EUA.

Os primeiros integrantes da 10ª Divisão de Montanha, sediada em Fort Drum, no estado de Nova York, começaram a ser enviados para uma instalação de treinamento na selva do Panamá. Militares da unidade também deverão atuar na Colômbia e em Honduras.

Oficialmente, o Pentágono apresenta a movimentação como parte da ofensiva contra o narcotráfico. A estrutura que está sendo montada, porém, é mais ampla e inclui novos comandos, drones militares e uma cadeia específica dentro do Pentágono para coordenar as operações contra cartéis.

Tropas, drones e novo comando militar

Na Colômbia, integrantes da divisão devem participar do exercício militar Southern Vanguard, previsto para o fim de outubro. Outros seguirão para Honduras, onde realizarão treinamentos com forças locais.

Segundo autoridades ouvidas pelo New York Times, soldados também poderão proteger helicópteros americanos e apoiar forças de Operações Especiais dos EUA que assessoram militares locais em ações contra suspeitos de narcotráfico.

Outras centenas de militares da 10ª Divisão deverão integrar uma nova estrutura de comando para operações no Hemisfério Ocidental, com sede em Miami. O governo Trump também criou no Pentágono uma unidade dedicada à supervisão das operações militares contra cartéis.

Paralelamente, os EUA transferiram drones MQ-9 Reaper da África para Colômbia e Equador.

Adam Isacson, do Washington Office on Latin America (WOLA), afirmou ao jornal não se lembrar de um deslocamento semelhante de tropas norte-americanas na América Latina em período recente, fora de invasões ou grandes catástrofes.

Após a publicação, a Embaixada dos EUA no Panamá afirmou que 120 militares da 10ª Divisão estão atualmente no país para um treinamento de duas semanas. A informação não contradiz o relato do Times de que integrantes de um batalhão de 600 soldados estão sendo deslocados em diferentes missões pela região.

EUA querem “retomar terreno” na América Latina

As declarações da própria cúpula militar norte-americana mostram que a estratégia vai além do combate às drogas.

O general Joseph A. Ryan, responsável pelo Comando do Hemisfério Ocidental do Exército, afirmou que Washington está retornando a uma região que deixou de ser prioridade durante décadas e citou diretamente o crescimento da influência econômica chinesa.

Segundo o New York Times, Ryan afirmou que os EUA haviam cedido espaço econômico a um adversário e que agora trabalham para “retomar terreno” marítimo, terrestre, humano e cognitivo.

A ofensiva ocorre enquanto Trump articula o Escudo das Américas, iniciativa regional que reúne governos aliados em torno de uma agenda econômica e de segurança. O documento do grupo inclui, entre suas prioridades, a proteção das cadeias de fornecimento de minerais críticos e regras relacionadas à infraestrutura digital.

Ao mesmo tempo, Washington prepara uma nova etapa de suas operações militares. O general Francis L. Donovan, principal comandante dos EUA para grande parte da América Latina, afirmou que as ações deverão avançar de ataques contra embarcações para operações em terra.

Segundo o Times, a campanha norte-americana já realizou 71 ataques contra embarcações, com ao menos 239 mortos, que o governo dos EUA afirma serem ligados ao narcotráfico sem apresentar publicamente provas para todos os casos. Especialistas em direito internacional questionam a legalidade das operações.

A expansão também gera preocupação dentro das Forças Armadas norte-americanas. Oficiais ouvidos pelo jornal afirmaram que o governo Trump ainda não definiu claramente o objetivo final da operação. Um deles alertou para o risco de que um eventual ataque contra soldados americanos provoque uma escalada e arraste os EUA para um novo conflito.

Com soldados, drones e uma nova estrutura de comando, a movimentação mostra que a América Latina voltou ao centro da estratégia militar de Washington, em uma disputa que combina guerra às drogas, influência geopolítica e competição com a China.

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