“Antes tarde do que nunca”. Aparentemente, foi nesse ditado popular que a Secretaria de Saúde (Sesau) pautou a decisão de buscar diálogo com a diretoria do Hospital Geral de Camaçari (HGC) para tecer estratégias e minimizar o impacto da mudança no protocolo de atendimento da unidade hospitalar na saúde dos camaçarienses.
‘Dois meses’, para dizer o mínimo, já que, embora o HGC tenha passado a atuar como unidade exclusivamente referenciada no dia 1º de dezembro de 2020, a decisão e a data já haviam sido anunciadas com antecedência pelo secretário estadual de Saúde, Fábio Vilas-Boas. Tempo houve. O que faltou foi ação.
Silêncio quebrado
Pois bem, depois de quase dois meses de inércia e silêncio diante do sofrimento da população, a Sesau resolveu agir: na última terça-feira de janeiro (26), dirigentes da pasta se reuniram com gestores do HGC para discutir parcerias que possam acelerar a regulação, ou seja, a transferência de pacientes das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) para o hospital.
De acordo com a Sesau, ficou pactuado que o município apoiará o hospital com a disponibilização de exames diagnósticos, diminuindo o tempo de permanência dos camaçarienses nos leitos da unidade, e o HGC acolherá alguns dos pacientes que estão nas UPAs aguardando regulação, a exemplo dos pacientes de cirurgia vascular, ortopédica e geral.
Para que a cooperação funcione tão bem na prática quanto na teoria, as equipes de Regulação dos dois entes deverão manter comunicação diária, com troca de informações e monitoramento.
Conveniente
Sem citar o fato grave de que, até a mudança do atendimento do HGC para unidade referenciada, mais de 90% dos leitos do hospital eram ocupados por moradores de Camaçari, o secretário de Saúde, Dr. Elias Natan, tentou colocar o péssimo atendimento e superlotação da única UPA que atende adultos em Camaçari na conta do Governo do Estado, culpando a reforma do HGC.
“Aqui está um dos pontos principais da nossa reunião que é a reabertura urgente da Clínica Médica do HGC. Pois, sem esses leitos ocorre uma sobrecarga do sistema de urgência e emergência no município com os pacientes ficando mais tempo internados nas UPAs e PAs”, declarou ele, notadamente sabedor que a Clínica Médica no HGC está fechada por causa da reforma da unidade.
“O serviço de urgência e emergência é formado por entes municipais, estaduais e federais. É preciso que todos atuem de forma alinhada, senão acaba sempre sobrecarregando o município e prejudicando a população”, afirmou Elias Natan, aparentemente esquecido que foi o seu chefe, o prefeito Elinaldo Araújo (DEM), que decidiu reduzir o número de leitos de UPAs em Camaçari, desconsiderando sumariamente todas as críticas – e o sofrimento – da população.
Estiveram na reunião, além de Elias Natan, a diretora-geral da unidade hospitalar, Maria Del Carmen, o diretor-médico do HGC, César Ladeia e a diretora de Controle e Regulação do SUS em Camaçari, Elba Brito.
