O Governo Federal tem ou não votos para aprovar a Reforma da Previdência? Essa é a pergunta que todos estão se fazendo nos últimos dias. E é cada vez mais visível que não. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), declarou ontem que dificilmente o texto será votado na próxima semana. O relator, deputado Arthur Maia (PP), quer celeridade na votação e tem a expectativa de que o texto seja votado até o próximo dia 15. O Planalto tem investido sobre todos os partidos, inclusive sobre lideranças baianas do PR e do PP.
O PP já garantiu ao presidente Michel Temer pelo menos 40 dos 45 votos da bancada federal da legenda para a reforma da Previdência. A coluna Raio Laser informou ontem que membros da legenda na Bahia garantem que os representantes baianos do partido vão votar com a proposta considerada fundamental para tirar o país da crise. Os deputados dizem perceber que a percepção da população sobre a importância da medida tem melhorado a cada dia que passa.
A Tribuna procurou integrantes da PR, que negam o desejo de votar a Reforma da Previdência, mesmo com o novo texto apresentado pelo governo. “O produto que eles quiseram vender há um tempo atrás foi mal embalado e mal vendido. Então, pegou a pecha de coisa ruim. O povo acha que é coisa ruim. Podem mudar a embalagem agora, que ele não passa. O Planalto errou muito forte na forma como colocou. Quem votar [a favor], não volta [ao Congresso] em 2019”, assegura o deputado José Carlos Araújo (PR).
Fontes consultadas pela Tribuna confirmam que o Planalto fez um jantar na semana passada e esperava pelo menos 300 deputados (para ser aprovado, o texto precisa de 308 votos em dois turnos). Só que um cálculo de última hora foi feito e concluiu-se que apenas 170 pessoas estavam presentes e nem todos eram parlamentares (tinham ministros, deputados que tinham levado convidados e os funcionários do palácio). De deputados mesmo, apenas 120 estavam presentes. Interlocutores também informam que o governo já estuda deixar a votação para o ano que vem. Pautar a matéria e ela ser derrotada agora traria prejuízos incalculáveis, inclusive para o mercado. A ideia geral que paira entre os congressistas do chamado “baixo clero” é que um assunto tão polêmico como esse só pode ser discutido com um governo forte, em início de mandato. “Do jeito que está, não passa. Votar agora é suicídio político”, resume uma fonte.
