Dezenas de casas foram demolidas em Vila de Abrantes, na manhã de segunda-feira (17). A ação realizada pela Prefeitura de Camaçari, através da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), contou com o apoio da Polícia Militar. A intervenção gerou revolta e protestos, com vídeos compartilhados nas redes sociais e repercussão em páginas e tv local. As alegações para a demolição são de que as construções foram erguidas de forma irregular em área de proteção ambiental.
Antes das demolições, vídeos compartilhados por moradores da localidade mostram que um homem, que se identificou como superintendente da Sedur, esteve na localidade na última quinta-feira (13), notificando os invasores. Segundo o técnico, a pasta recebeu denúncias do Inema e Ministério Público, referente a degradação ambiental, extração de minérios, derrubada de árvores e queimadas no local. De acordo com o comunicante, a região é uma Área de Proteção Ambiental (APA), e em um dos trechos, uma Área de Preservação Permanente (APP).
Em contato com a comunidade, o preposto da Sedur diz que não pode ser edificado nada no terreno. No entanto, os moradores relatam que o terreno já recebeu terraplanagem e existem projetos futuros para construção de conjuntos habitacionais no lugar. Eles argumentam ainda, que já residem há cerca de seis anos no local, sendo moradia única e consolidada de muitos ocupantes.
Após a demolição, os moradores fecharam a BA-099, mais conhecida como Estrada do Coco. Os protestantes usaram pneus, galhos e barricadas para travar os dois lados da pista. A manifestação foi interrompida pela polícia que recorreu ao uso da força e a utilização de spray de pimenta para dispersar os protestantes.
Até o fechamento da publicação, a prefeitura não havia se pronunciado o apoio social ou plano de moradia para as famílias afetadas pelas ações.




