POLICLÍNICA

Master: depoimento de Wagner à PF é adiado

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Foto: Divulgação

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O depoimento do senador Jaques Wagner (PT) à Polícia Federal (PF), marcado para esta sexta-feira (7), foi adiado após solicitação apresentada pela defesa do parlamentar. A oitiva ocorreria no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas envolvendo o Banco Master e as relações do petista com o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.

Segundo o advogado Pablo Domingues, responsável pela defesa do senador, problemas técnicos impediram que os advogados tivessem acesso integral ao material reunido pelos investigadores. A alegação é de que Wagner pretende prestar os esclarecimentos à PF somente depois de conhecer os elementos que embasam a apuração.

“O pedido de adiamento decorre exclusivamente do fato de ainda não ter sido viabilizado à defesa, por problemas técnicos (todos documentados), o acesso ao conteúdo da investigação, requerido no mesmo ato em que a data foi indicada, há quase um mês”, informou o advogado de defesa do senador.

Ainda não foi divulgada uma nova data para o depoimento. A defesa afirma que o adiamento não representa uma recusa do parlamentar em prestar esclarecimentos, mas uma medida para garantir conhecimento prévio dos elementos constantes no inquérito.

Wagner entrou no foco da Compliance Zero em junho, quando o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a nona fase da operação. Na ocasião, foram determinadas buscas e medidas cautelares contra investigados. Segundo o STF, a apuração busca esclarecer indícios de uma possível relação entre Wagner, Augusto Lima e Daniel Vorcaro, além de uma eventual atuação parlamentar em favor de interesses ligados ao Banco Master em troca de vantagens indevidas.

Um dos principais pontos investigados é justamente a relação entre Wagner e Augusto Lima. O empresário foi sócio de Vorcaro no Banco Master e já mantinha negócios ligados ao crédito consignado na Bahia antes de ingressar na instituição financeira. Wagner afirmou anteriormente que sua relação com Lima remonta a 2017, período em que participou, como secretário estadual, das negociações envolvendo a venda da rede Cesta do Povo.

A investigação também apura suspeitas relacionadas a um apartamento em Salvador. A PF investiga se o imóvel, avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, teria representado uma vantagem indevida destinada ao senador. Wagner negou ter recebido propina ou recursos do Banco Master e afirmou que pediu a Augusto Lima que intermediasse a aquisição do imóvel, com a intenção de recomprá-lo posteriormente. 

Além disso, os investigadores analisam possíveis pagamentos relacionados a pessoas do entorno do parlamentar e a eventual conexão dessas movimentações com empresas ligadas ao caso Master. As suspeitas fazem parte de uma investigação mais ampla sobre possíveis crimes financeiros, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e organização criminosa.

Jaques Wagner nega ter cometido irregularidades. Desde que se tornou alvo da operação, o senador sustenta que não recebeu recursos do Banco Master e que não foi denunciado ou condenado pelos fatos investigados.

Com o adiamento desta sexta-feira, a expectativa é que uma nova data para a oitiva seja definida depois que a defesa tiver acesso ao conteúdo da investigação.

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