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Gás de cozinha vai cair na Bahia? Entenda proposta que promete baratear GLP

Gás de cozinha vai cair na Bahia? Entenda proposta que promete baratear GLP
Imagem ilustratiiva Google

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A Tarde/Carla Melo

Desde o início dos conflitos no Irã, o cenário dos combustíveis tem sido marcado por altas exorbitantes nos postos em todo o país. Na última semana, entretanto, motoristas tiveram alívio no bolso diante de uma queda no preço da gasolina e do diesel. Ainda sim, um componente continua sendo o grande vilão no bolso do brasileiro: o gás de cozinha.

Entre os dias 19 a 25 de abril, o gás de cozinha (GLP) teve aumento de R$ 114,39 para R$ 114,61 em comparação ao período semanal anterior. Os dados são do levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)

Na Bahia, a alta do gás de cozinha chegou a R$ 116,94 – maior do que a média nacional registrada na mesma semana. Em Salvador, o botijão registrou preço médio de revenda de R$ 124,10.

No início do mês, o Brasil registrou alta de R$ 112,43 no gás de cozinha. Uma alta de 1,74% em comparação com a nova alta anunciada pela ANP.

Na intenção de frear as altas do preço do gás de cozinha e proteger o orçamento das famílias brasileiras, o governo federal editou uma medida provisória que abre crédito extraordinário no valor de R$ 330 milhões.

A ideia é que, a subvenção econômica atue com protecionismo ao preço do produto importado fazendo com que o produto seja comercializado pelo mesmo preço do produzido no país. Ou seja, produtores, importadores e distribuidores de GLP podem ser compensados com recursos para reduzir os custos ao consumidor final

Atualmente, o Brasil importa cerca de 20% do GLP consumido no país.

Como o auxílio funciona

A medida provisória, publicada no início do mês, prevê auxílio de até R$ 850,00 por tonelada, sob a forma de equalização de parte dos custos a que estão sujeitos os importadores de GLP, para produtos entregues a partir de 1º de abril de 2026, limitado a 31 de maio de 2026.

A proposta prevê também a prorrogação por mais dois meses desse auxílio para produtores, importadores e distribuidores do gás de cozinha.

O agente importador deverá comprovar que o preço de comercialização será limitado ao preço de paridade de importação, subtraído do somatório dos valores do crédito.

Vai baratear o gás de cozinha na Bahia?

De acordo com a economista Ana Georgina, a proposta é muito importante pensando no cenário de alta global, entretanto, essa mudança pode não fazer parte da rotina do consumidor final, isso porque a subvenção tende a ter impacto mais significativo para postos e distribuidoras.

“Muitas vezes esses valores acabam em alguma medida indo mais para a margem de lucro dos postos e das revendedoras de gás do que propriamente para o consumidor.. No caso dos empresários, muitos deles dizem que na verdade não reduz, mas aumenta menos do que o que aumentaria se não tivesse as medidas. Quando os preços aumentam, eles aumentam imediatamente, mas quando os preços caem, isso nem sempre chega na mesma medida ou chega com a mesma rapidez”, explica a especialista.

Apesar do alerta, a economista aponta que as medidas realizadas pelo governo nos preços dos combustíveis e nos impostos que incidem sobre os produtos ajudam a minimizar o impacto que poderiam ser ainda maiores, e impactar o orçamento familiar brasileiro.

“É importante principalmente para gás de cozinha, sobretudo para as famílias com menor renda. É um peso considerável no orçamento. Se você tem aumentos dessa forma no botijão de gás, você acaba comprometendo o poder de compra. Isso somado também ao aumento das outras coisas, como alimentos. Todas essas medidas a despeito de chegarem da maneira que elas foram imaginadas na ponta, são extremamente importantes”, finaliza a profissional.

Altas nos preços

O botijão de 13kg segue em escalada contínua. Enquanto os combustíveis registram redução no preço médio de revenda, o GLP subiu de R$ 109,87 em fevereiro para R$ 114,61 em todo o Brasil no mês de abril. São seis semanas seguidas de reajustes positivos, totalizando um avanço de 4,3% no período de guerra.

No início deste mês, o governo federal já havia adotado outras medidas para conter os impactos da alta dos combustíveis sobre a população. Entre elas, destacam-se subvenções à importação de diesel e incentivos à produção nacional do combustível.

Além do botijão de gás de 13 kg, o diesel rodoviário também recebeu subvenção de R$ 1,20 que será paga diretamente pela União. Essa medida se somará à subvenção de R$ 0,32/litro criada em 12 de março, viabilizando a importação do derivado necessária ao abastecimento do país.

Em contrapartida, os importadores deverão aumentar o volume vendido aos distribuidores e garantir o repasse do benefício aos preços ao consumidor.

Entre as medidas anunciadas em abril, também estão a de isentar impostos que incidem sobre os combustíveis usados no país, como o de querosene de aviação (QAV), que vinha sofrendo variações desde o início dos ataques no Irã, em fevereiro deste ano.

A medida prevê a isenção das alíquotas de PIS/Cofins sobre o QAV, o que deve gerar uma redução direta de cerca de R$ 0,07 por litro do combustível. Por fim, as empresas aéreas poderão postergar, para dezembro, o pagamento das tarifas de navegação aérea ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), referentes aos meses de abril a junho de 2026.

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