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”FRAGMENTADOS” – Em videocast Flávio Matos confessa medo de Ivoneide e temor para 2028

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Em entrevista ao videocast In Off nesta sexta-feira (22), o pré-candidato a deputado federal Flávio Matos (PL) abriu o jogo sobre os desafios da direita em Camaçari para as próximas eleições e, aparentemente sem perceber, fez críticas veladas à gestão anterior. Em cerca de 1h30 de conversa, ele também detalhou o rompimento político com o ex-prefeito Elinaldo Araújo e revelou, nas entrelinhas, problemas na gestão do ex-padrinho e da câmara.

O dilema de 2026: frear Ivoneide Caetano

Na avaliação de Flávio, a eleição municipal de 2028 dependerá diretamente do desempenho da oposição em 2026. Ele acredita que, se os adversários não conseguirem retirar pelo menos 50 mil votos de Ivoneide, dificilmente terão condições de manter a força do grupo em 2028.

“Não dá pra gente não ter um candidato para enfrentar o PT em Camaçari em 26. A gente vai chegar morto em 28”, avaliou Matos.  “Agora não dá pra gente ter uma eleição onde Ivoneide Caetano, que é esposa do prefeito Caetano, tenha 100.000 votos. Nós vamos chegar fragmentados em 28.”, explicou ele, em referência direta à expressiva votação de Ivoneide em 2022, quando foi eleita com mais de 105 mil votos.

O pré-candidato expressou sua preocupação, também, com a manutenção da base de vereadores do grupo, que hoje soma 12 parlamentares. “Nós temos 12 vereadores na base, temos a maioria dos vereadores na base. Talvez os meus irmãos vereadores não tenham enxergado isso, mas se nós não tivermos um candidato à altura para contrapor o PT em 26, em 28, nós não faremos mais 12. Talvez só possamos fazer a metade disso”, previu. A falta de um candidato forte, segundo ele, dificultaria a montagem de partidos e a sustentação de novas candidaturas para vereador, fragilizando a presença da direita na Câmara.

A solução, para Matos, é clara: “Se nós contrapusermos, agora, fortemente o PT; se a gente tiver uma candidatura forte, ao invés de Ivoneide ter 100.000 votos, nós dividirmos essa votação pau a pau, nós vamos chegar com estrutura, com força para disputar uma eleição”, acredita ele.

O plano de economia e a crítica velada à gestão Elinaldo

Em outro momento da entrevista, Flávio Matos, ao responder sobre seus projetos caso tivesse sido eleito prefeito, fez uma crítica sutil, mas contundente, à gestão de seu ex-aliado, Elinaldo Araújo (União). Ele detalhou um plano ambicioso para economizar R$ 40 milhões em apenas seis meses de governo, simplesmente desfazendo decisões da administração anterior.

Flávio Matos revelou que já tinha conversado com sua possível secretária de Saúde sobre essa meta, cujo objetivo era a construção do sonhado hospital municipal. O mais interessante, no entanto, é de onde viria a economia: “finalizando o contrato de combustíveis da prefeitura, eletrificando a frota, licitando o que é necessário, encerrando contratos que eram ralos, diminuindo as funções gratificadas de quem não merecia a função gratificada, cargos comissionados aí com salários altíssimos que poderiam ser economizados. E nós tínhamos esse dever de casa, esse era o dever de casa principal, porque eu ia construir meu hospital com recursos próprios”, listou ele.

A fala de Matos, embora focada em seu plano de governo, ressoa como uma crítica direta à forma como os recursos públicos eram geridos na administração anterior, da qual ele foi um apoiador, já que aponta diversos pontos de escoamento indevido de recursos públicos. “Eu ia fazer daquela cidade um lugar austero e um lugar que desse resultados eficientes, rápidos”, afirmou ele. 

O rompimento com Elinaldo e a admissão de subserviência

Flávio Matos também trouxe à tona os detalhes de seu rompimento político com Elinaldo Araújo, revelando, na narrativa, que a Câmara Municipal enfrentava sérios problemas orçamentários ao final de sua gestão como presidente. Segundo ele, o que ele esperava ser uma reunião para discutir a estrutura e a montagem política, transformou-se em um desabafo público do ex-prefeito.

Matos contou que só soube em abril deste ano que Elinaldo estava chateado com ele por causa de um vídeo e um outdoor de agradecimento à votação obtida após a campanha de 2024. “Quando chega em abril, ele me chama para essa fatídica reunião. A Câmara tinha um problema orçamentário grave e ele me chamou para essa reunião [com todos os vereadores aliados]. Achei que nós íamos falar de estrutura, achei que nós íamos falar de montagem política, mas ele desabafou, falou desse sentimento. Abriu o coração, abriu o coração na frente de todos”, relatou.

A resposta de Matos foi direta: “E eu disse: ‘Prefeito, o senhor não tá certo. O senhor tá errado. Se o senhor estava com esse sentimento há seis meses, o senhor tinha que me chamar numa sala. (…) Mas nesse fórum onde tem várias forças políticas que eu sei que têm interesses, uns a meu favor, outros contrários, o senhor tá errado. O senhor tinha que me chamar sozinho. (…) O senhor se acostumou a eu dizer que o senhor tá sempre certo, mas o senhor está errado. E aí ficou um clima ruim. Eu saí dali muito triste”, relatou. A partir daí, segundo Matos, o afastamento foi oficializado e começaram as críticas públicas a ele, tanto em entrevistas cedidas pelo próprio Elinaldo, quanto por parte de comunicadores ligados ao ex-prefeito.

Apesar disso, Matos reiterou que espera fazer dobradinha com Elinaldo em 2026. De acordo com ele, os líderes dos partidos, João Roma (PL) e ACM Neto (União) estão dialogando para definir a composição da chapa. 

Por outro lado, chamou atenção na fala a admissão de que Flávio Matos costumava acatar tudo o que Elinaldo dizia, combinada com a informação de que a Câmara enfrentava graves problemas financeiros e a crítica aos gastos supérfluos da gestão anterior. A entrevista de Flávio Matos ao In Off não apenas delineia suas ambições políticas, mas também oferece um olhar sobre a construção, tensões e realinhamentos no cenário político de Camaçari, pela ótica dum opositor.

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