desentupidoraok

De olho no público evangélico, Flavio Matos  flerta com a extrema direita

IMG_03861
Flávio Matos ao lado de "Padre" Kelmon (PTB) que, segundo as autoridades eclesiásticas, não é padre (Foto: Divulgação)

Compartilhe essa matéria:

Mirando no público evangélico, Flávio Matos (PL), deixou de lado a figura acolhedora da campanha para encarnar o defensor da extrema direita. As mudanças ficaram mais visíveis depois dos conflitos com as lideranças municipais da sua antiga legenda, o União Brasíl, e a filiação ao Partido Liberal. O carimbado discurso ideológico que levou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao poder, vem ganhando espaço nas falas e posicionamentos do ex-presidente da Câmara de Camaçari e candidato a prefeito derrotado em 2024.

“Ideologia de gênero”, “cidadão de bem” e “pró vida” são alguns dos termos incorporados ao vocabulário do pré-candidato a deputado estadual que mostra sinais claros de flerte com a extrema direita. Uma das defesas recentes do político foi referente ao projeto aprovado na Câmara dos Deputados, que suspende a regulamentação do aborto legal para meninas vítimas de estupro, um direito garantido há mais de 80 anos.

Dizendo ser pró vida e contra o aborto, Flávio Matos defende que meninas e mulheres vítimas de estupro mantenham a gravidez pela preservação da vida. “Por mais que seja uma causa absurda, o bebê não tem culpa. Até as 22 semanas, a formação do feto já está quase concluída. Não dá pra que a gente culpe uma vida, por qualquer que seja a razão”, argumenta.

A declaração foi feita através de vídeo publicado no perfil do pré candidato no Instagram. Na continuidade, ele diz que caso a mãe não queria conviver com essa criança, o estado deve encaminhar para a adoção. Nesse item, ele ignora a fila da adoção no Brasil e a busca seletiva das famílias que se predispõem a adotar.

Em outro corte compartilhado em seu perfil, o pré candidato diz que é necessário tirar a “ideologia” e “politicagem” da educação. Na última semana, Flávio Matos gravou um novo discurso, dessa vez defendendo a aprovação da PL 5582, denominada “PL Anti facção”. O projeto em questão, é oriundo do governo federal, no entanto, na Câmara dos Deputados o texto sofreu alterações da extrema direita, agora defendida por Matos.

Com as mudanças, foram inseridos cortes em recursos para a Polícia Federal e brechas que dificultam a apreensão de bens das facções. O projeto recebeu voto contrário da deputada federal Ivoneide Caetano (PT), que virou alvo das críticas do ex-presidente da Câmara. “Quando é que a senhora vai entender que a maioria do cidadão de bem brasileiro é contra essas regalias que os presidiários tem e esses absurdos que pagamos a conta como o auxílio reclusão?”, disparou.

Uma observação atenta mostra que não é o conteúdo em si defendido por Flávio Matos que merece reflexão, mas o formato do discurso, as palavras clichês e frases ditas com frequência pelo grupo de extrema direita, que tenta retomar o poder no país. Ele elegeu um público alvo, os evangélicos, e vem seguindo a mesma receita adotada pelos agora correligionários de partido para adoçar a visão de uma importante parcela da sociedade que supostamente defende ‘a ordem e a moralidade’.

No entanto, do holocausto alemão às vítimas do COVID 19 no Brasil, o discurso dos extremistas se mostrou letal para boa parte da população. E os interlocutores da mensagem, no geral se apresentaram como verdadeiros “lobos em pele de cordeiro”. Não quer dizer, que esse seja o caso do pré-candidato a deputado…

Flávio Matos ao lado de João Roma | Foto: Divulgação

Mais lidas