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Couve falsa: planta tóxica causa intoxicação e morte em Minas Gerais

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De aparência semelhante à couve tradicional, a planta venenosa (à esquerda), identificada como Nicotiana glauca, tem folhas mais claras, textura mais espessa e odor levemente diferente (Foto: Montagem)

O consumo acidental de uma planta conhecida popularmente como “couve falsa” tem causado casos graves de intoxicação em Minas Gerais. De aparência semelhante à couve tradicional, a planta venenosa, identificada como Nicotiana glauca, tem folhas mais claras, textura mais espessa e odor levemente diferente.

Segundo autoridades locais, pelo menos 11 pessoas foram intoxicadas após consumirem a planta em duas cidades mineiras: Patrocínio, no Alto Paranaíba, e Santa Vitória, no Triângulo Mineiro. Em um dos casos, houve morte confirmada. Além disso, uma das vítimas segue internada em estado grave.

Os primeiros registros ocorreram no início de outubro, em Patrocínio, quando quatro pessoas da mesma família passaram mal após um almoço na zona rural. De acordo com o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMMG), as vítimas acreditavam estar preparando couve-manteiga. Logo após a refeição, apresentaram sintomas como mal-estar, dormência nas pernas, fraqueza muscular, dificuldade para respirar e visão embaçada. Uma das vítimas sofreu parada cardiorrespiratória.

Dias depois, sete pessoas foram intoxicadas em Santa Vitória, após ingerirem a mesma planta, conhecida na região também como “fumo-bravo”. O caso foi confirmado pelo prefeito Sérgio Moreira, que divulgou um vídeo nas redes sociais alertando a população para o risco do cultivo doméstico.

“Acabem com tudo, quem em casa tiver exemplar desta planta, por favor, acabem com isso tudo. Assim você vai se manter seguro, manter sua família segura e manter toda a nossa cidade segura também”, pediu o prefeito.

Segundo Moreira, a suspeita é de que as folhas tenham sido colhidas em hortas caseiras, o que aumenta o risco de novas ocorrências. “Falsa couve, também conhecida como fumo-bravo, tem feito vítimas aqui em Santa Vitória também. Até agora, já temos sete casos confirmados e suspeitamos que muitas pessoas possam cultivar essa planta altamente tóxica em casa”, afirmou.

De acordo com o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) do Hospital das Clínicas da USP, não existe quantidade segura para o consumo da planta. Mesmo pequenas porções podem causar efeitos graves, como náusea, tontura, dor abdominal, fraqueza muscular, convulsões e, em casos extremos, insuficiência respiratória e parada cardíaca.

Como identificar a “falsa couve”

A espécie envolvida, Nicotiana glauca, também é conhecida como “charuteira”, “couve-do-mato” ou “fumo-bravo”. Embora seu visual lembre a couve-manteiga, ela pertence à mesma família do fumo (Solanaceae) e contém alcaloides tóxicos capazes de provocar paralisia muscular e problemas respiratórios.

Algumas diferenças podem ajudar na identificação:

As folhas da falsa couve são mais estreitas e alongadas, com cor verde-acinzentada e textura menos firme e menos nervurada;

A couve comum apresenta folhas maiores, largas, de verde-vivo, com textura firme e nervuras bem marcadas.

Mesmo com essas pistas, especialistas reforçam o alerta: em caso de dúvida, não consuma. O ideal é adquirir verduras apenas de fontes seguras e identificadas, e evitar o plantio de espécies desconhecidas em hortas domésticas.

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