” border=”0″ alt=”Ministra Cármen Lúcia (Foto: EVARISTO SA/AF)” title=”Ministra Cármen Lúcia (Foto: EVARISTO SA/AF)” />
Num voto em tom brando, mas cheio de recados ao colega Luiz Fux, que a antecedeu, e com direito a apartes com o mesmo objetivo dos outros três integrantes da Primeira Turma do STF, a ministra Cármen Lúcia deu o terceiro voto a favor da condenação de Jair Bolsonaro como líder de uma organização criminosa e praticamente de outros quatro crimes contra a democracia no julgamento da Ação Penal 2668.
As respostas indiretas ao longo voto da véspera de Fux pareceram combinadas entre os ministros. A começar pela presença, inédita, do decano do STF, Gilmar Mendes, no plenário da Primeira Turma, passando pelos jograis ironizando a concessão ou não de apartes e culminando na exibição-surpresa de vídeos com falas de Bolsonaro contendo ameaças aos ministros e às instituições e a quebradeira de 8 de janeiro de 2023, tudo foi coreografado para reiterar a ocorrência de crimes descritos na denúncia do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e reforçar o isolamento de Fux, que absolveu Bolsonaro e a maioria dos réus após mais de 13 horas de sessão e sem permitir apartes dos colegas.
Cármen reconheceu a liderança de Bolsonaro e o cometimento dos crimes pelo ex-presidente antes de analisar a conduta dos réus listados na ação por ordem alfabética. Com isso, formou a maioria pela condenação do ex-presidente e quebrou o efeito do voto de Fux na véspera, que havia atiçado os bolsonaristas nas redes sociais e no Congresso.
Fux chegou a sair da sala logo depois da exibição do vídeo e das fotos por Moraes. Em nenhum momento no voto de Cármen fez menção a pedir também ele apartes.
A ministra fez uma série de citações na etapa inicial do voto em que louvou a democracia e falou do caráter insidioso dos golpes de Estado, no que também soou como uma resposta sutil à maneira como Fux em todo o voto procurou minimizar os fatos narrados na denúncia.
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