A cidade de Camaçari completa 268 anos nesta segunda-feira (28). Entre o mar e a indústria, o município construiu uma identidade marcada por contrastes complementares. Ao mesmo tempo em que abriga um dos maiores complexos industriais do Hemisfério Sul, também é dono de um litoral de cerca de 42 quilômetros, integrado à Costa dos Coqueiros, com praias preservadas e cenários paradisíacos.
De acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 304 mil habitantes vivem em Camaçari. Em 2025, a cidade foi apontada como o segundo destino mais desejado pelos turistas brasileiros, atrás apenas de Barra de Tabatinga, no Rio Grande do Norte, segundo um levantamento da plataforma de reservas Booking.com.
Entre os destaques do litoral está Guarajuba, uma das praias contempladas com o selo internacional Bandeira Azul, reconhecimento que atesta a qualidade ambiental, a segurança e a infraestrutura do balneário. A região atrai visitantes em busca de águas cristalinas, areias bem cuidadas e serviços turísticos de excelência.
A paisagem se completa com distritos e praias que também fazem parte dos atrativos do município. Abrantes, Busca Vida, Barra do Jacuípe, Itacimirim e Jauá estão entre os locais que encantam os visitantes. Em Arembepe, a desova de tartarugas marinhas impulsionou à instalação de uma unidade do Projeto Tamar.
Polo Industrial
Além do aspecto turístico, a indústria ocupa um lugar central na trajetória de desenvolvimento do município. O principal marco dessa história foi a inauguração do Polo Industrial, em 29 de junho de 1978. Hoje, o espaço abriga mais de 80 empresas de diferentes segmentos produtivos, como químico-petroquímico, automotivo, pneus, celulose solúvel, metalurgia do cobre, têxtil, fertilizantes, fármacos, energia eólica, bebidas e serviços.
O complexo tem faturamento anual de aproximadamente US$ 15 bilhões (cerca de R$ 76,5 bilhões), e responde por 15% das exportações baianas. Sua capacidade produtiva é superior a 12 milhões de toneladas por ano de produtos químicos, petroquímicos básicos, intermediários e finais.
De acordo com o Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), associação empresarial que representa mais de 80 empresas no Polo Industrial de Camaçari e sua área de influência, o complexo é responsável por 22% do Produto Interno Bruto (PIB) da indústria de transformação da Bahia e pela geração de cerca de 50 mil empregos, sendo 10 mil diretos e 40 mil indiretos.
Diferencial
A estrutura já consolidada também ajuda a explicar a capacidade do município de atrair novos investimentos. Estudos do Observatório da Indústria da FIEB indicam que Camaçari oferece como diferencial uma infraestrutura industrial compartilhada já paga e em operação, como central de utilidades, tratamento de efluentes, dutovias e subestações, além de fornecedores e prestadores de serviço instalados a poucos quilômetros e um estoque de mão de obra com experiência industrial. Esse conjunto reduz o custo e, sobretudo, o prazo de maturação de novos investimentos.
Os efeitos aparecem também nos números. A quantidade de estabelecimentos formais no município passou de 3.498 em 2017 para 5.436 em 2025, um crescimento de 55% em oito anos. No dado mais recente, o Novo CAGED aponta 84.033 empregos formais em Camaçari em junho de 2026, com saldo positivo de 6.351 postos em 2025 e de mais 4.770 entre janeiro e julho de 2026. Desse saldo de 2026, 81% vêm da indústria de transformação.
Outro aspecto acompanhado pelo observatório é a diversificação do Polo. A química e a petroquímica continuam como núcleo de maior valor agregado, mas passaram a conviver com segmentos como automotivo, pneumáticos, celulose, têxtil, cosméticos, bebidas, fertilizantes e cerâmica.
“Um parque diversificado é menos vulnerável a choques setoriais e amplia o leque de investidores para os quais o município faz sentido”, afirmou Ricardo Menezes Kawabe, gerente do Observatório da Indústria da FIEB.
Tronox completa 55 anos em Camaçari
É nesse ambiente industrial que está instalada uma das operações que ajudam a contar a história de Camaçari: a Tronox, uma das fábricas do Polo Industrial. É no município que funciona a única fábrica integrada de dióxido de titânio (TiO₂) da América do Sul. A operação completa 55 anos em 2026. A trajetória da empresa está ligada à infraestrutura industrial consolidada, à localização logística estratégica, à presença de fornecedores e serviços especializados e à disponibilidade de profissionais qualificados.
A partir de Camaçari, a Tronox produz um insumo presente em produtos como tintas, plásticos, papéis, borrachas e revestimentos, entre diversas outras aplicações. A produção realizada na Bahia contribui para o abastecimento do mercado brasileiro e para uma menor dependência de produto importado, além de integrar a planta de Camaçari à estratégia global da companhia.
A presença da empresa também se traduz em investimentos que alcançam diferentes dimensões da operação. Somente nos últimos cinco anos, foram mais de R$ 120 milhões aplicados no desenvolvimento de novos produtos e em tecnologia. Os impactos alcançam ainda a economia local e a cadeia produtiva. A Tronox estima que sua operação impacte aproximadamente 7 mil pessoas, direta e indiretamente, e mantém relacionamento com mais de 80 empresas parceiras, movimentando atividades ligadas a matérias-primas, energia, gás, manutenção, serviços e logística.
“Para os próximos cinco anos, estão previstos aproximadamente R$ 200 milhões em investimentos voltados a melhorias de processo, tecnologia, pesquisa e desenvolvimento, modernização da planta e avanços ambientais. É uma demonstração concreta de que Camaçari não representa apenas o legado construído pela companhia, mas permanece como parte importante de seu futuro”, destacou Moisés Santos, diretor de operação da Tronox Bahia.
O projeto de conteúdo Aniversário de Camaçari é uma realização do jornal Correio, com patrocínio da Tronox e apoio da FIEB.

