” border=”0″ alt=”Plenário do Congresso Nacional (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)” title=”Plenário do Congresso Nacional (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)” />
A votação da polêmica PEC da Blindagem serviu para mostrar ao povo brasileiro, entre outras coisas, que “ideologia” partidária não garante índole, compromisso com a democracia nem com o interesse público. Se, por um lado, parlamentares de direita (pouquíssimos) se posicionaram em defesa da democracia, da justiça e dos interesses do povo, também houve parlamentares de esquerda que pisoteram anos de luta.
Apesar de a direita brasileira ter pressionado e votado em peso pela aprovação da PEC que pretende garantir impunidade a bandidos de terno e gravata, houve duas vozes dissidentes. Uma delas, mais enfática, foi o deputado federal Kim Kataguiri (União/SP) que fez questão de movimentar o parlamento e suas redes sociais contra a PEC.
“Votar e aprovar essa PEC é pedir para o crime organizado disputar cadeiras e vencer eleições aqui dentro do Congresso Nacional para escapar das investigações. Quando essa regra existia, nenhuma investigação foi autorizada, nem em caso de homicídio, corrupção ou tráfico. É proteger criminosos de todo tipo, sem limitação de crime”, criticou Kataguiri.
A deputada Silvye Alves (União/GO) também ganhou repercussão ao anunciar que deixará o partido após as pressões que sofreu para mudar seu voto. Ela contou que chegou a votar contra a PEC, mas recebeu ligações do alto escalão do União Brasil e acabou cedendo. “Eu venho aqui humildemente pedir desculpas aos meus eleitores. Eu cometi um erro gravíssimo”, afirmou Silvye, declarando que aguarda a janela partidária de 2026 para oficializar sua saída.
Se na direita houve raras dissidências, na esquerda o número surpreendeu. O Partido dos Trabalhadores, maior legenda progressista do país, viu 12 dos seus 69 deputados votarem a favor da PEC da Blindagem, em total contradição ao discurso histórico de defesa da democracia e da justiça.
Os petistas que apoiaram a proposta foram: Airton Faleiro (PT/PA), Alfredinho (PT/SP), Dilvanda Faro (PT/PA), Dr. Francisco (PT/PI), Flávio Nogueira (PT/PI), Florentino Neto (PT/PI), Jilmar Tatto (PT/SP), Kiko Celeguim (PT/SP), Leonardo Solano (PT/MG), Merlong Solano (PT/PI), Odair Cunha (PT/MG) e Paulo Guedes (PT/MG).
Entre os partidos de esquerda, apenas PSOL e PCdoB se mantiveram firmes, votando em peso contra a PEC.
A lição para os eleitores é clara: não basta ouvir discursos inflamados em defesa do povo. É preciso acompanhar de perto o que cada parlamentar faz no plenário. Enquanto medidas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o fim da escala 6×1 seguem engavetadas, parlamentares se unem para aprovar privilégios que blindam políticos da Justiça.
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