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Articulação de Flávio Bolsonaro com os EUA gera alerta sobre soberania nacional

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Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca (Foto: BolsonaroSP/X/Reprodução)

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Sob o pretexto de combater o crime organizado, uma tentativa de fragilizar a soberania nacional está em curso. Em descrédito e envolvidos em escândalos de corrupção, a família Bolsonaro mais uma vez atenta contra o próprio país e coloca o Brasil na rota de um conflito internacional de grandes proporções.

A articulação atribuída ao pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) para que os EUA classifiquem PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas pode colocar cidadãos brasileiros na mira americana. É o que avaliam especialistas em política e segurança de todo o país.

O colunista do Canal UOL, João Paulo Charleaux, declarou, na coluna Poder e Mercado, que a designação tem peso militar e de defesa, com potencial de abrir espaço para ações unilaterais dos Estados Unidos. Charleaux disse que a mera possibilidade já mexe com a eleição e com a relação bilateral.

“O que essa articulação, capitaneada pelo pré-candidato Flávio Bolsonaro, conseguiu foi jogar a maior potência militar do mundo contra cidadãos brasileiros. É possível que esses ataques nem cheguem a acontecer, mas o mero vislumbre, a mera possibilidade disso já é suficiente para perturbar bastante a eleição de outubro e para mudar radicalmente o perfil da relação que o Brasil tem com os EUA”, avalia.

Ele destaca que a denominação dessas organizações criminosas como grupos terroristas internacionais significa, do ponto de vista securitário, militar e de defesa, que os EUA podem estar em guerra com essas organizações e com essas pessoas. “Se duas organizações criminosas brasileiras são designadas como terroristas, então os EUA estão em guerra contra elas, do ponto de vista da doutrina americana”, pontua.

Nesse cenário, o risco para o Brasil é que cidadãos brasileiros, sejam eles criminosos, membros de facções ou não, se tornem alvos dos EUA. Charleaux também aponta que, no xadrez eleitoral, o movimento pode tentar empurrar para o presidente Lula o custo político de se opor à classificação. Para ele, o risco é que o debate seja usado para associar críticas à medida à “defesa” das facções.

“Qualquer um que saia ponderando contra isso, inclusive eu, mas muito especialmente no campo político-eleitoral representado por Lula, será taxado de defensor de facções”, alerta.

O posicionamento pesa ainda, para a dinâmica eleitoral daqui até outubro, porque cada defesa de Lula sobre a legalidade e a soberania nacional será distorcida pelo grupo que tenta retornar ao poder a qualquer custo.

Confira o vídeo com a avaliação do especialista:

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