Após fugir do Brasil depois de a Polícia Federal (PF) intimá-lo a entregar os passaportes em 24 horas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarcou nos Estados Unidos, nesta terça-feira (27/10), ao lado da esposa Fernanda Bolsonaro e das duas filhas. A informação é da colunista da “CNN Brasil” Jussara Soares.
Ainda não se sabe onde Flávio desembarcou nos Estados Unidos, nem como deixou o Brasil e embarcou após a PF exigir o documento. Só se sabe que o senador foi para o país onde o irmão e ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) está foragido depois de a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condená-lo a 4 anos e 2 meses de prisão.
O Departamento de Estado do governo Donald Trump já reconheceu que emitirá vistos tanto para Flávio quanto para a esposa e as filhas lá permanecerem. À Reuters, uma autoridade do Departamento de Estado informou, sob anonimato, que “os Estados Unidos emitirão vistos para Flávio Bolsonaro e sua família e permitirão sua entrada” no país.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) saiu do país poucas horas após negar publicamente que teria intenção de fazê-lo. Em um vídeo publicado no Instagram nessa segunda, após o ministro Alexandre de Moraes autorizar a apreensão dos passaportes, Flávio disse que nunca falou em ir para os Estados Unidos. “Eu nunca falei isso”, afirmou.
A fuga do senador para os Estados Unidos pegou até aliados de surpresa. O coordenador-geral da campanha, Rogério Marinho, afirmou que conversou com o correligionário às 8h e que não teria sido avisado de nada. “Hoje, pela manhã, toda imprensa nos procurou e nós não tivemos notícias ainda por parte do Flávio, nem dos seus advogados, do que, de fato, aconteceu”, disse.
O ex-advogado de Bolsonaro Frederick Wassef, que se encontrou com Flávio na noite de ontem, também se disse surpreso. “Estou tão surpreso quanto cada um dos senhores com esta informação de que não estão localizando o meu cliente”, relatou. “Não tratei sobre nada disso com o Flávio ontem. Tratamos sobre pautas gerais, as quais não posso me manifestar”.
Aliado de Eduardo, o jornalista Paulo Figueiredo não confirmou, nem negou a fuga, mas admitiu que orientou o senador a sair do Brasil após a vitória de Lula no último domingo (25/10). “Na noite da derrota, a minha sugestão foi: ‘Pegue um avião e saia daí agora’. (Ele) Não quis, não quis”, relatou, durante o programa “Paulo Figueiredo Show”.

