O ouvidor-geral do Município de Camaçari e presidente municipal do MDB, Oswaldinho Marcolino, divulgou os nomes dos candidatos a deputado estadual e federal que vai apoiar nas eleições de outubro. A divulgação surpreendeu muita gente e gerou questionamentos entre aqueles que acreditam que o ex-candidato a prefeito deveria seguir o direcionamento do seu aliado e principal líder político da esquerda no município, o prefeito Luiz Caetano (PT).
Existem correntes políticas dentro do grupo que defendem a necessidade de unificar a base em torno da campanha da deputada federal Ivoneide Caetano e dos candidatos a deputado estadual Júnior Muniz e Tagner Cerqueira. Para a ala mais radical, a escolha de Oswaldinho abre brechas na unificação do grupo e enfraquece a autoridade política do gestor municipal.
Ao optar por fortalecer o MDB e seguir o alinhamento estadual da legenda, Oswaldinho decidiu apoiar o deputado estadual Matheus de Geraldinho (MDB) e o candidato a deputado federal Jayminho Vieira Lima (MDB). Matheus de Geraldinho é filho do vice-governador Geraldinho Júnior (MDB) e foi eleito deputado estadual em 2022 com 60.214 votos, tornando-se o deputado mais jovem da Bahia e o segundo mais jovem do Brasil.
Jayminho Vieira Lima é primo de primeiro grau dos irmãos Vieira Lima — Geddel e Lúcio —, advogado e ex-presidente da Companhia de Engenharia Hídrica e de Saneamento da Bahia (Cerb). Presidente do MDB na Bahia, o candidato tem defendido o fortalecimento do partido no estado e a ampliação da representação da legenda no Congresso Nacional.
Em Camaçari, a apresentação dos nomes motivou publicações e críticas, que foram rebatidas por Oswaldinho e por Geddel Vieira Lima, uma das principais lideranças do MDB na Bahia. Em uma das publicações, Geddel contestou o argumento de uma suposta ingratidão do partido e acusou Caetano de não honrar compromissos.
“Se tem algum ingrato, é o prefeito, que recebeu apoio decisivo do MDB e não cumpriu nenhum dos compromissos políticos com o partido, o que, aliás, faz parte da história dele. Além disso, para ficar claro, o MDB fez, na eleição para prefeito, uma aliança política, não uma fusão; o que significa dizer que o apoio foi dado à candidatura a prefeito e a uma eventual gestão, e não às escolhas políticas futuras do prefeito de Camaçari. Simples assim”, escreveu Geddel.
Na sequência, Geddel afirma que Caetano está mal acostumado e ironiza ao dizer que o MDB “não foi se oferecer na casa de ninguém”. Segundo ele, o Partido dos Trabalhadores, Caetano e o governador Jerônimo Rodrigues “ficaram atrás” do MDB em busca do apoio para o segundo turno das eleições municipais de 2024, em Camaçari.
As críticas e cobranças do MDB por mais espaço e participação na gestão municipal têm sido recorrentes. No entanto, até o momento, Caetano tem evitado se pronunciar sobre o assunto.



