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Secretário de Comunicação do PT defende consenso nacional sobre taxação de fortunas

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No cenário nacional de crescente debate sobre a desigualdade social, o Secretário Nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, defendeu veementemente a isenção do Imposto de Renda para brasileiros com renda de até R$ 5 mil e a taxação dos rentistas (milionários e bilionários que lucram com juros de investimentos, sem pagar impostos).

A declaração, feita ao programa “Poder em Pauta”, da Carta Capital, nesta sexta-feira (26), ocorre a poucos dias da votação de um Projeto de Lei do Imposto de Renda do Governo Lula, que vem sendo alvo de críticas da direita, extrema direita que querem gerar pânico na chamada classe média, assim como de “empresários” que se recusam a ver a desigualdade social diminuir no Brasil.

Valadares argumenta que a taxação da elite que vive de renda sequer deveria ser um debate. “Deveria ser consenso no Brasil taxar a elite que vive de renda e não produz, efetivamente, riqueza para o nosso país e que ainda leva esse dinheiro embora sem deixar nenhum imposto. Deveria haver um pacto nacional, no mínimo, pela moralidade disso. Se não tem senso de igualdade, de fraternidade, de solidariedade, se não quer trabalhar pela diminuição das desigualdades sociais, no mínimo, moralmente, isso já é absurdo”, criticou o dirigente petista, direcionando suas palavras aos parlamentares contrários à proposta.

A defesa de Valadares é reforçada pelas estatísticas: dados divulgados neste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a maioria esmagadora da população brasileira vive com rendimentos modestos. Cerca de 90% dos brasileiros ganham menos de R$ 3,5 mil por mês, e 70% recebem até dois salários mínimos. Os dados também mostram que o rendimento mensal médio do brasileiro foi de R$ 3.057, em 2024.

No outro extremo, a concentração de riqueza é gritante. O grupo dos 0,1% mais ricos, composto por cerca de apenas 160 mil pessoas, teve um aumento de 6,9% na renda entre 2017 e 2023, com ganhos médios de R$ 516 mil por mês – sim, você leu certo: os 0,1% mais riscos do Brasil ganham em um único mês 28,5 vezes mais que do que um trabalhador que recebe salário mínimo ganha em um ano inteiro. Já o 1% mais rico do Brasil chega a ganhar 39,2 vezes mais que os 40% mais pobres.

Éden Valadares ressaltou que a taxação de grandes fortunas impactaria um número reduzido de indivíduos, mas traria benefícios substanciais para a maioria. “É necessário taxar um pouco mais uma pequena elite de 140 mil pessoas para beneficiar os outros 20 milhões, no caso do Imposto de Renda”, afirmou.

Para colocar essa cifra em perspectiva, é possível comparar com a população de Camaçari, que é de aproximadamente 300 mil habitantes. Isso significa que o número de pessoas a serem taxadas em todo o Brasil, se a proposta for aprovada, (141 mil) representa menos da metade da população total da cidade. Por outro lado, o número de beneficiados equivale a 67 vezes a população total de Camaçari.

O líder petista enfatizou que o modelo tributário atual perpetua desigualdades históricas, que ele classificou como “chagas que nos envergonham”. “É motivo de vergonha para o Brasil no mundo a enorme desigualdade social e a concentração de riqueza sem parâmetro no mundo, sem igual no mundo, a chaga da escravidão e do racismo institucional, estrutural no nosso país e a chaga da pobreza e da fome. Um país que é um dos cinco maiores em território, uma das sete, oito, nove maiores economias do mundo, quinta, sexta da população do mundo ainda convive com milhões de crianças dormindo com fome”, declarou Valadares.

Ele contrastou as pautas do Governo Lula e do campo progressista, focadas na transformação do sistema político, econômico e cultural para combater essas desigualdades, com as da direita, que, segundo ele, “se articulam para gerar mais privilégios, mais impunidade, para tentar aprovar a anistia a quem cometeu tentativa de assassinato, e o golpe contra o Brasil.”

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