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Em queda, satélite da Nasa de 1,5 tonelada pode atingir o Brasil

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Probabilidade de danos pessoais é considerada mínima - Foto: Reprodução

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Lançado há quase 22 anos para decifrar os fenômenos mais energéticos do universo, o Observatório Neil Gehrels Swift, da Nasa, encerra a trajetória orbital na madrugada desta quarta-feira, 4.

A espaçonave de 1,4 tonelada vai passar por um processo de reentrada descontrolada na atmosfera terrestre, resultando na desintegração de grande parte da estrutura.

A agência espacial norte-americana adverte, contudo, que destroços resistentes podem atingir a superfície em uma ampla faixa global compreendida entre as latitudes 20,6 graus Sul e 20,6 graus Norte.

Área de risco

A área de risco delimitada pelos engenheiros de voo cobre cerca de 2,2 mil quilômetros ao norte e ao sul da Linha do Equador, abrangendo territórios das Américas Central e do Sul, África Central, sul da Índia, Sudeste Asiático e norte da Austrália, além de extensas zonas oceânicas.

Apesar da vasta cobertura geográfica, a probabilidade de danos pessoais é considerada mínima. De acordo com comunicado oficial emitido pela agência, a chance de um indivíduo ser atingido pelos fragmentos é de aproximadamente 1 em 2.100.

Horário da queda

O horário exato da descida permanece sujeito à margem de erro inerente às forças de arrasto atmosférico.

Cálculos da Aerospace Corporation apontavam a entrada nas camadas densas para as 5h19 (horário do leste dos EUA), com tolerância de duas horas. Já a Força Espacial dos Estados Unidos estimou a reentrada para as 7h42, sob a mesma margem de incerteza.

A queda do satélite foi precipitada por tempestades solares recentes e ejeções de massa coronal, que provocaram a expansão das camadas superiores da atmosfera, aumentando o atrito sobre a espaçonave.

Diante da rápida perda de altitude, que reduziu a órbita para apenas 275 quilômetros acima da Terra, uma tentativa emergencial de resgate foi articulada em julho pela empresa privada Katalyst Space Technologies.

Plano

O plano previa o envio do veículo espacial LINK para capturar o observatório e reconduzi-lo a uma órbita estável, prolongando a vida útil por mais uma década. A missão comercial, contudo, falhou poucas semanas após o lançamento ao perder o controle de orientação antes do acoplamento.

Especialistas apontam que, sob as normas atuais de mitigação de lixo orbital atualizadas em 2019, o Swift não teria autorização para operar sem um plano de descarte controlado.

Parker Wishik, porta-voz da Aerospace Corporation, destaca que os padrões vigentes exigem que a taxa estimada de risco à vida humana em reentradas não planejadas seja inferior a 1 em 10.000.

Histórico de contribuição

Sem um substituto imediato planejado na mesma faixa de observação astrofísica, o Swift deixa um histórico de contribuição fundamental para a astronomia.

Capaz de realizar manobras rápidas de reposicionamento em órbita baixa, o equipamento registrou desde a explosão de buracos negros até explosões de raios gama, asteroides e cometas.

O desfecho do Swift reforça os alertas da Nasa quanto à preservação de outros ativos espaciais veteranos.

A agência abriu recentemente um Pedido de Propostas (RFP) para o setor privado, buscando soluções de manutenção e elevação orbital para o Telescópio Espacial Hubble.

Lançado em 1990, o Hubble apresenta 50% de probabilidade de desorbitar até 2033, sem que haja um sucessor equivalente previsto antes da década de 2040.

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