O Brasil vai às urnas, neste domingo, 25, para definir se vai eleger um novo presidente da República ou se dará um novo mandato ao seu atual ocupante. A partir das 8h (horário de Brasília) de hoje, os quase 160 milhões de eleitores vão decidir, em segundo turno, se querem Lula (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL) como chefe do Executivo nacional pelos próximos quatro anos.
Quem são os dois candidatos?
Lula: trajetória marcada por três mandatos
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou à disputa presidencial de 2026 como presidente da República e candidato à reeleição, em busca de seu quarto mandato. A candidatura foi oficializada pelo Partido dos Trabalhadores em 2 de agosto. Geraldo Alckmin (PSB) foi mantido como candidato a vice-presidente. A campanha petista apostou na continuidade das políticas do governo, na defesa de programas sociais e na recuperação econômica como argumentos para conquistar votos.
Depois de três derrotas presidenciais, em 1989, 1994 e 1998, foi eleito presidente em 2002 e reeleito em 2006. Após ficar fora da disputa de 2018, quando teve a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral, voltou a concorrer em 2022 e derrotou Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno, por 50,90% a 49,10% dos votos válidos.

Na campanha de 2026, Lula buscou associar sua experiência política à capacidade de conduzir o país, ao mesmo tempo em que procurou ampliar o apoio entre eleitores que não integram sua base tradicional. A disputa, no entanto, se mostrou mais acirrada do que a expectativa de uma vantagem do presidente no primeiro turno.
Em 4 de outubro, ele terminou a votação em segundo lugar, com 45,16% dos votos válidos, ante 47,03% de Flávio Bolsonaro (PL). Com o resultado, passou a enfrentar o desafio de reverter a diferença em uma nova rodada de votação.
Flávio: protagonismo da direita
Senador pelo Rio de Janeiro desde 2019, Flávio Bolsonaro (PL) foi oficializado como candidato à Presidência em 25 de julho de 2026. Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ele entrou na disputa com a missão de representar o campo político bolsonarista e manter a direita competitiva na corrida pelo Palácio do Planalto. A chapa tem como candidato a vice-presidente o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL).
Advogado de formação, Flávio iniciou sua carreira eleitoral em 2002, quando foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro. Conquistou outros três mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa fluminense antes de chegar ao Senado. Ao longo da trajetória, esteve ligado a pautas conservadoras e à defesa de políticas de segurança pública.

A candidatura presidencial ampliou sua projeção nacional, transformando-o no principal representante eleitoral da família Bolsonaro na disputa pelo Executivo federal.
Durante a campanha, Flávio defendeu a continuidade do legado político do pai e apresentou propostas voltadas à segurança pública, à redução de despesas governamentais e ao combate à inflação. Também procurou ampliar sua comunicação direta com o eleitorado por meio das redes sociais e de plataformas digitais.
No primeiro turno, obteve 47,03% dos votos válidos, ficando à frente de Lula e consolidando sua passagem ao segundo turno.
Disputa acirrada no primeiro turno entre Lula e Flávio
A eleição presidencial de 2026 entrou para a história recente do país pela pequena diferença entre os dois candidatos mais votados no primeiro turno. Com 100% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%.
A distância de 1,87 ponto percentual superou o recorde anterior de proximidade entre os dois primeiros colocados em uma eleição presidencial brasileira desde a redemocratização, registrado em 2022. Naquele ano, Lula terminou a primeira rodada com 48,43%, contra 43,20% de Jair Bolsonaro.
O histórico recente ajuda a dimensionar o cenário. Em 2022, Lula derrotou Jair Bolsonaro por 50,90% a 49,10%, na eleição presidencial mais apertada até então, em um segundo turno. A disputa atual, por sua vez, começou com uma diferença inferior a dois pontos percentuais entre os dois primeiros colocados.
Virada histórica de Lula?
Além da pequena diferença entre os candidatos, o segundo turno de 2026 apresenta um desafio histórico para Lula: tentar vencer uma eleição presidencial depois de terminar a primeira votação atrás do adversário.
Desde a redemocratização, em 1989, nenhum candidato que ficou em segundo lugar no primeiro turno conseguiu ultrapassar o líder e vencer a disputa presidencial na rodada final. Em todas as sete eleições que chegaram ao segundo turno entre 1989 e 2022, o primeiro colocado confirmou a vitória — em 1994 e 1998, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi eleito no primeiro turno.
O histórico inclui a primeira eleição direta após o regime militar, quando Fernando Collor de Mello venceu Lula no segundo turno, em 1989, e as disputas de 2002 e 2006, nas quais o próprio petista chegou à rodada final na liderança e ampliou sua votação.
O mesmo ocorreu com Dilma Rousseff em 2010 e 2014 e com Jair Bolsonaro em 2018. Em 2022, Lula também terminou a primeira etapa à frente e confirmou a vitória sobre Bolsonaro, embora por uma diferença estreita. Até então, a segunda votação havia confirmado, em todos os casos, a liderança estabelecida na primeira rodada.
Caso consiga ultrapassar Flávio Bolsonaro, Lula protagonizará a primeira virada desse tipo em uma eleição presidencial brasileira decidida em segundo turno desde a redemocratização.
Bolsonarismo de volta ao Planalto?
A eleição de Flávio Bolsonaro representa a possibilidade de retorno do bolsonarismo ao comando do governo federal após quatro anos fora da Presidência. Jair Bolsonaro governou o país entre 2019 e 2022 e foi derrotado por Lula na eleição seguinte.
Desde então, o movimento político associado ao ex-presidente manteve presença no debate público e na disputa eleitoral, com apoio de setores conservadores, grupos ligados à segurança pública e parcelas do eleitorado identificadas com a direita.
A vitória do senador significaria a volta de um representante direto da família Bolsonaro à Presidência e a retomada do grupo político que governou o Brasil entre 2019 e 2022. Com a votação marcada para 25 de outubro e as pesquisas indicando uma disputa acirrada, o desfecho permanece em aberto.

