CIDADE DO SABER

Investigados da “Farra do INSS” planejaram esconder dinheiro em criptomoedas após buscas da PF

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(Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

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Gravações de câmeras de segurança obtidas pelo Estadão mostram que investigados na chamada “Farra do INSS”, o maior escândalo de fraudes na Previdência Social, debateram formas de esconder dinheiro e proteger bens em 22/05, cerca de um mês depois das buscas da Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Desconto.

As conversas ocorreram na residência de Anderson Cordeiro Vasconcelos, de 38 anos, em Alphaville, em São Paulo. Ele é um dos alvos da operação, que investiga o desvio de R$ 6,2 bilhões dos contracheques de aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

No vídeo, obtidos de câmeras de segurança que gravavam o imóvel 24 horas por dia, Anderson, recebe Igor Dias Delecrode, também investigado na operação.

Nas conversas, os dois empresários conversam sobre migrar recursos para moedas digitais, as criptomoedas, e também sobre o bloqueio de recursos devido as decisões judiciais.

O esquema investigado
O esquema investigado pela Operação Sem Desconto envolve o desvio de R$ 6,2 bilhões dos contracheques de aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Quatro entidades, AASAP (Associação de Amparo ao Aposentado e Pensionista), Amar Brasil Clube de Benefícios, Master Prev e ANDAPP (Associação Nacional de Defesa dos Direitos dos Aposentados e Pensionistas), acumularam receitas superiores a R$ 700 milhões por meio de descontos irregulares aplicados sobre os benefícios dos segurados.

Além disso, os investigados são suspeitos de corrupção de dirigentes do INSS. De acordo com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), mais de R$ 100 milhões recebidos pelas associações foram canalizados para empresas vinculadas aos próprios suspeitos e a seus familiares.

O grupo ficou conhecido como ‘golden boys’: quatro empresários que presidiam associações de aposentados apesar de terem entre 30 e 40 anos, bem distantes da faixa etária dos beneficiários que diziam representar.

Anderson Vasconcelos tem 38 anos; Felipe Macedo Gomes, 36; Igor Dias Delecrode, 28; e Américo Monte Jr. também integra o grupo.

Na época em que as conversas foram gravadas, os Golden Boys foram alvos e busca e apreensão, mas não foram presos. Na ocasião, a PF apreendeu uma frota de 29 carros avaliados em R$ 28 milhões.

Os advogados dos empresários declararam não ter conhecimento sobre os vídeos e sustentaram que a divulgação das gravações configura crime.

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