A escritora e chefe de cozinha Solange Borges foi recebida, na tarde desta sexta-feira (21), pelo presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), desembargador José Edivaldo Rocha Rotondano. Figura conhecida no meio político e cultural do município, Solange, que é sacerdotisa do Candomblé, teve uma fotografia sua retirada, a pedido de um juiz local, de uma exposição na galeria do Fórum Clemente Mariani, em Camaçari, em fevereiro de 2026.
Na ocasião, o caso gerou grande repercussão, e a decisão foi considerada discriminatória, preconceituosa e intolerante pelo Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro) e pela sacerdotisa, que acionaram o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o magistrado.
O encontro com o presidente do TJBA aconteceu no próprio Fórum, onde ele, em nome do Judiciário baiano, fez questão de se retratar. “Eu vim resgatar esse momento que a senhora vivenciou e tenha certeza de que o Poder Judiciário não coaduna com atitudes que foram tomadas em relação à senhora”, destacou. “Então, em nome do Poder Judiciário da Bahia, em nome da magistratura baiana, eu quero te pedir desculpas publicamente pelo que houve.”
Na oportunidade, o presidente do TJBA também acrescentou: “Não importa raça, cor, religião, não importa absolutamente nada. O dever do Poder Judiciário é cuidar de gente, é escutar, ouvir”.
Solange, que é dona de um restaurante dedicado à culinária afro-brasileira em Camaçari, também recebeu um buquê de flores do magistrado durante o encontro.
“Fico honrada e feliz de que o trabalho que desenvolvo, e este movimento que aconteceu por causa da foto, trazem outras pessoas para entender a possibilidade de que a gente pode ter a Justiça do nosso lado”, declarou Solange. “Saio daqui com o coração mais leve”, concluiu.
Entenda o caso
No início do ano, o juiz Cesar Augusto Borges de Andrade, da 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Camaçari, determinou que a foto de Solange Borges fosse retirada de uma exposição inaugurada no Fórum Clemente Mariani em outubro de 2025.
Quatro meses depois, no dia 20 de fevereiro, o magistrado solicitou a retirada da imagem, alegando incompatibilidade com o princípio da laicidade estatal.
Segundo o juiz, a imagem poderia representar transtornos para servidores públicos, advogados e outras pessoas que frequentam o prédio público e professam outra fé. Na fotografia, Solange aparece vestida de branco (vestes típicas da religião) e sorrindo.

