Alinhados à principal preocupação do eleitorado, os pré-candidatos à Presidência da República têm concentrado seus discursos e planos de governo na segurança pública. Levantamento da pesquisa Nexus/BTG, de 26 de julho, reforça a relevância do tema: segurança e violência lideram as apreensões dos brasileiros, com 30% das menções, superando áreas como saúde (25%) e corrupção (22%).
As propostas dos presidenciáveis vão de criação de um Ministério da Segurança Pública à construção de superpresídios, passando pela designação de organizações criminosas como terroristas.
Outro ponto de destaque na corrida eleitoral é a economia. Há propostas de “tesouraço” nas despesas públicas e redução de impostos, privatizações, revisão de subsídios e benefícios tributários. O endividamento das famílias também está na mira. Conforme a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), o indicador atingiu o patamar recorde de 82% em julho de 2026.
A soberania nacional ganha espaço nos programas, após as ofensivas do governo do Estados Unidos contra produtos do Brasil — com sequências de tarifaços — e a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas estrangeiras, o que, no limite, pode implicar intervenção armada no país.
Líder das intenções de voto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfatiza a soberania em seu discurso. Ele relaciona política externa com defesa. O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL, e segundo colocado nas pesquisas, sustenta ser o único capaz de negociar tanto com os Estados Unidos como com outras potências. A seguir, propostas dos principais postulantes ao cargo.
Soberania e combate a facções
O programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um eventual quarto mandato coloca a soberania nacional e a segurança pública entre os eixos estratégicos da atuação do Estado. O documento defende maior autonomia do Brasil diante de outras potências, reforço da estrutura de defesa e ampliação da capacidade do governo federal de coordenar políticas de combate à criminalidade.
Na soberania, o texto parte de um diagnóstico de aumento das tensões geopolíticas e de enfraquecimento das regras de convivência internacional. Nesse cenário, defende que o Brasil deve “reafirmar sua soberania e preservar sua capacidade de fazer escolhas políticas e econômicas de forma independente”, sem subordinação estratégica a outros países.
O plano estabelece uma relação direta entre política externa e defesa. Segundo o texto, “não há projeção internacional soberana sem capacidade de defesa”. A proposta é combinar capacidade diplomática e poder de dissuasão, com investimentos na Base Industrial e Tecnológica de Defesa.
A indústria de defesa aparece no programa não apenas como instrumento militar, mas também como vetor de desenvolvimento econômico. O texto destaca o domínio de tecnologias sensíveis, a geração de empregos qualificados e a possibilidade de ampliar exportações de maior valor agregado.
Outra frente apontada é a defesa cibernética. O governo pretende proteger infraestruturas críticas e bases de dados públicos, além de desenvolver tecnologias próprias para reduzir a dependência externa em áreas consideradas estratégicas.
No capítulo dedicado à segurança pública, o plano adota uma abordagem que combina repressão ao crime organizado, prevenção da violência e ampliação da presença do Estado nos territórios.
A segurança pública é classificada como prioridade nacional e, segundo o programa, deve ser baseada em coordenação federativa, integração de dados, inteligência, prevenção e repressão qualificada. A intenção é ampliar a cooperação entre União, estados e municípios e dar ao governo federal maior capacidade de coordenação.
O programa prevê ações contra facções, milícias e redes de financiamento do crime, além do enfrentamento ao tráfico de armas, munições, acessórios e explosivos. A estratégia inclui a asfixia financeira das organizações criminosas, com integração entre órgãos de investigação e fiscalização.

