Já se sabia que o escândalo do Banco Master tinha potencial para se espraiar por todo o espectro político brasileiro. A estratégia do banqueiro Daniel Vorcaro era justamente a de cultivar um grande número de “amigos” influentes em Brasília, se possível nos Três Poderes e com indiferença aos matizes ideológicos.
O fato das investigações agora alcançarem o petista Jaques Wagner, líder do governo no Senado e político de confiança do presidente Lula — depois de já terem chegado a Ciro Nogueira, do PP, e das revelações sobre Flávio Bolsonaro, do PL, entre outros políticos citados —, deixa a sensação, para os cidadãos que acompanham o noticiário político (não só o da Copa), de que estão todos no mesmo barco.
A questão é como isso vai se refletir no comportamento dos eleitores. Em princípio, quando todos os partidos ou candidatos são alvos de denúncias de corrupção, a ética deixa de funcionar como um critério de diferenciação. Mas, no caso da atual pré-campanha presidencial, há outras opções além do petista que busca a reeleição e do herdeiro do bolsonarismo que tem como missão resgatar o pai da cadeia. Isso poderia dar margem a uma postura conhecida como “tolerância pragmática”, ou seja, conceder o voto ao menos pior, descartando os candidatos ou grupos políticos envolvidos em escândalos.
Ocorre que, no cenário de polarização persistente vivido no País, em que a rejeição ao adversário conta mais do que a preferência por determinado candidato, os cidadãos parecem dispostos a substituir o pragmatismo pelo cinismo eleitoral — uma atitude que nasce da percepção de que todos no jogo político agem por interesse próprio, mesmo aqueles sobre os quais não pesam suspeitas, e que as instituições são incapazes de corrigir essa realidade.
Isso talvez explique por que o impacto do Caso Master no desempenho de Flávio Bolsonaro nas pesquisas foi limitado. Para além do núcleo duro do bolsonarismo, o senador vinha angariando o apoio circunstancial de antipetistas moderados, aqueles que discordam do modelo de desenvolvimento defendido pelo PT e que não se esquecem do desastre econômico de 2014, nem do Mensalão e da Lava Jato. Uma parte desses votos se esvaiu, mas por quanto tempo?
Para um incumbente como Lula, cuja rejeição já é fortemente atrelada ao histórico de corrupção do PT, em tese é possível beneficiar-se do cinismo eleitoral, que tende a deixar os eleitores mais dispostos a trocar princípios éticos por benefícios econômicos concretos.

