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Indústria baiana teme perda de competitividade com novo tarifaço dos EUA

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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A proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros acendeu um alerta na indústria baiana. A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) avalia que, caso seja confirmada, a medida encareça mercadorias produzidas no estado, reduza a competitividade no mercado norte-americano e pressione cadeias industriais consideradas estratégicas para a economia da Bahia.

A Fieb informou nessa terça-feira (3) que a proposta apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, conhecido pela sigla USTR, pode atingir segmentos relevantes da pauta exportadora baiana, especialmente produtos industriais e intermediários, que costumam ter maior valor agregado e maior impacto na geração de empregos qualificados.

“Os Estados Unidos ocupam posição relevante para o comércio exterior da Bahia. O país é o quarto principal destino das exportações baianas, com vendas externas de US$ 821,4 milhões (2025). Por isso, uma elevação tarifária dessa magnitude pode ter efeitos significativos sobre empresas exportadoras, cadeias produtivas locais e setores industriais que possuem relação direta com o mercado norte-americano”, destaca a Federação.

Na prática, uma tarifa desse tamanho funciona como uma barreira comercial. O produto brasileiro chega mais caro ao comprador norte-americano e passa a disputar espaço em condições menos favoráveis com mercadorias de outros países. Para a indústria, isso pode significar perda de margem, renegociação de contratos, redução de vendas e risco de substituição por fornecedores internacionais.

Entre os itens baianos que podem ser impactados estão o ferro silício e produtos químicos como benzeno e butadieno. Esses materiais são usados em cadeias industriais de peso, ligadas principalmente aos setores de ferroligas, química e petroquímica. “Esses itens integram cadeias produtivas industriais importantes. A elevação da tarifa tende a encarecer os produtos brasileiros no mercado dos Estados Unidos, reduzir margens, pressionar contratos comerciais e abrir espaço para concorrentes de outros países”, explica a Fieb.

A preocupação da indústria ocorre porque a proposta mira justamente bens manufaturados e intermediários industriais. Diferentemente de produtos básicos, esses itens carregam mais etapas de produção, mais conhecimento técnico e mais valor agregado. Quando uma barreira comercial atinge esse tipo de mercadoria, o impacto tende a ser sentido ao longo de toda a cadeia, e não apenas no embarque final para exportação. “No caso da Bahia, eventuais restrições comerciais podem afetar tanto empresas exportadoras quanto fornecedores e prestadores de serviços vinculados às cadeias afetadas”, avalia a entidade.

A proposta do USTR ainda não representa uma decisão definitiva. O processo passa por etapas de consulta pública e análise antes de eventual aplicação da tarifa. Mesmo assim, o tema já mobiliza o setor produtivo porque reacende uma tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos e aumenta a incerteza para empresas que dependem de contratos internacionais. “A Federação reforça que o momento exige diálogo institucional, previsibilidade e cooperação entre os dois países, de modo a evitar prejuízos às cadeias produtivas e à relação comercial construída ao longo de décadas”, afirmou a Fieb.

No governo baiano, a reação também foi de crítica. O governador Jerônimo Rodrigues (PT) associou a proposta a articulações políticas de setores bolsonaristas nos Estados Unidos e afirmou que a medida prejudica diretamente a produção nacional. “O bolsonarismo vai aos Estados Unidos pedir para castigar o Brasil. Como alguém que quer concorrer ao governo federal sai do país para pedir contra o país? Esse tarifaço é um prejuízo para a classe produtiva, para os exportadores”, disse.

A fala do governador acrescenta um componente político a uma discussão que, para a indústria, tem efeito econômico concreto. O risco apontado pela Fieb está na perda de previsibilidade para quem produz no estado e vende para fora. Em setores industriais, contratos costumam envolver planejamento de médio e longo prazo, preços negociados, logística internacional e exigências técnicas específicas. Uma tarifa adicional pode alterar esse equilíbrio e tornar o produto baiano menos atraente para o comprador estrangeiro.

No plano nacional, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços estima que a proposta possa atingir 21% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, especialmente bens industriais. A avaliação do governo federal é que os setores de maior valor agregado tendem a sofrer mais, justamente por concentrarem empregos, renda e atividade produtiva em cadeias mais complexas.

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