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VÍDEO – “Meninos que nunca pegaram em fuzis”: deputado do PL denuncia morte de inocentes em operação no Rio

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O deputado federal Otoni de Paula (PL-RJ), aliado de Jair Bolsonaro e apoiador do governador Cláudio Castro (PL), fez um discurso duro na Câmara dos Deputados denunciando o assassinato de inocentes durante a megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, a mais letal da história do estado, com mais de 120 mortos.

Pastor evangélico e figura de destaque da direita fluminense, Otoni afirmou que quatro dos jovens mortos eram filhos de membros de sua igreja e que nunca tiveram envolvimento com o tráfico. “Morreram quatro ontem, meninos que nunca portaram fuzis, mas estão sendo contados no pacote como se fossem bandidos”, declarou, emocionado.

O deputado criticou o racismo estrutural e a indiferença do Estado diante das vítimas das favelas. “Sabe quem é que vai saber se são bandidos ou não? Nunca, ninguém vai atrás. Preto, correndo em dia de operação na favela, é bandido. Preto, com chinela havaiana, sem camisa, pode ser trabalhador. Correu, é bandido”, afirmou.

Em tom de protesto, Otoni destacou que é “fácil, para quem está no asfalto”, comemorar a letalidade policial. “É fácil subir nesta tribuna e dizer: que bom, matou. É porque o filho de vocês não está lá dentro. Como o meu está o tempo todo dentro de uma comunidade, e sabe qual é o meu pânico? É que ele é preto.”

Otoni classificou a ação como um “teatro espetacular” montado pelo governo do estado para produzir uma falsa sensação de segurança.

“Que esta espetacularização que estamos vendo, essa guerra ideológica, acabe. No momento, temos vítimas sofrendo  e essa vítima não é o traficante, porque morrem dez e nascem mil. A vítima é o povo, que está no meio disso tudo servindo de massa de manobra para político safado e incompetente”, disse o parlamentar.

Após o discurso, o deputado foi criticado nas redes sociais por supostamente se alinhar à esquerda. Em resposta, voltou à tribuna e reafirmou sua posição conservadora. “Eu não sou de esquerda, nunca votei em Lula nem no PT. Mas o que o povo viu ontem foi um teatro espetacular proporcionado pelo governador do Rio para dar a falsa impressão de que algo está sendo resolvido”, afirmou.

Ele também criticou a ausência de políticas permanentes nas comunidades e a lógica das operações pontuais e midiáticas. “A polícia entra e sai, não ocupa o território. Os policiais são vítimas tanto quanto os moradores. A metodologia de combate ao crime não será eficaz enquanto o Estado não sufocar o dinheiro do crime e o dinheiro do crime não está na favela”, disse.

Otoni encerrou pedindo que o país olhe para as favelas com humanidade. “Que Deus tenha misericórdia do meu povo. Que essa espetacularização que estamos vendo acabe”, concluiu.

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