desentupidoraok

CHUMBO TROCADO: Governo exonera indicados de quem votou contra taxação de milionários e bets

Presidente Lula 2025
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva Foto: Ricardo Stuckert/PR

Compartilhe essa matéria:

O Centrão, que articulou para proteger bets e fundos de investimentos milionários, mesmo com o risco de sacrificar programas sociais e investimentos em saúde e educação, começou a colher os frutos amargos da pressão contra o governo.

O Palácio do Planalto iniciou nesta sexta-feira (10) uma série de exonerações de indicados políticos de deputados que votaram contra a medida provisória (MP) do IOF — proposta que previa aumentar a tributação sobre bancos, fundos e apostas online para reforçar o caixa da União. A decisão, que atingiu cargos em ministérios e estatais, é interpretada como o primeiro movimento de retaliação do governo Lula aos aliados infiéis.

Segundo levantamento da Folha de S. Paulo, cinco superintendentes regionais de ministérios ligados ao MDB e ao PSD foram exonerados. A lista inclui os representantes do Ministério da Agricultura no Pará, Paraná, Minas Gerais e Maranhão, além da superintendente do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) em Roraima.

De acordo com um integrante do Planalto, os partidos haviam sido alertados de que a votação era decisiva e que o voto contra a medida seria entendido como um rompimento político. “Aqueles que se posicionaram contra a MP fizeram a opção de sair do governo”, afirmou a fonte à Folha.

As demissões provocaram reação imediata no PSD, cuja direção havia orientado voto contrário à proposta. Um líder da sigla classificou a decisão como “pouco inteligente e sem sentido”, lembrando que o partido foi o segundo que mais apoiou o texto, atrás apenas do PT. O MDB também rachou: embora a legenda tenha declarado apoio à medida, 14 dos 30 deputados votaram contra.

O impacto foi além dos ministérios. Conforme apuração da Folha de S. Paulo, aliados de parlamentares infiéis também foram desligados de cargos nos Correios e na Caixa Econômica Federal — funções comissionadas que não são publicadas no Diário Oficial.

A medida provisória derrotada na Câmara era uma das principais apostas do governo para garantir o equilíbrio fiscal em 2026, com impacto previsto de R$ 20 bilhões. Sem ela, a equipe econômica busca agora novas fontes de receita para evitar cortes em programas e investimentos.

Entre os atingidos pela onda de exonerações estão nomes ligados ao PP e ao PL, partidos que já haviam deixado a base governista. O vice-presidente de Sustentabilidade e Cidadania Digital da Caixa, Rodrigo de Lemos Lopes, indicado por Altineu Côrtes (PL-RJ), foi afastado. Em seu lugar, assume interinamente Jean Rodrigues Benevides, atual diretor executivo do banco. Outro exonerado foi José Trabulo Júnior, aliado do presidente do PP, Ciro Nogueira, e ex-diretor da Conab no governo Bolsonaro.

Outras demissões devem atingir cargos vinculados ao União Brasil e ao PP, siglas que formalizaram o desembarque do governo e se articulam em torno de uma candidatura alternativa à de Lula nas eleições de 2026.

Plano B

Enquanto endurece com os infiéis, o Planalto tenta recompor as perdas fiscais. Com a queda da MP, o Ministério da Fazenda e a Comissão de Finanças e Tributação (CFT) discutem medidas para compensar a arrecadação, estimada em R$ 20 bilhões. A principal aposta, segundo apuração da Folha, é rever parte das renúncias fiscais que drenam cerca de R$ 800 bilhões anuais dos cofres públicos.

O presidente da CFT, Rogério Correia (PT-MG), defende uma triagem nas isenções e subsídios tributários para manter o foco em taxar grandes fortunas e proteger programas sociais. “O governo não vai mexer em programas que atendem os mais pobres. O esforço será cortar privilégios, não direitos”, afirmou.

O relatório preliminar da Subcomissão de Isenções Fiscais propõe um corte linear de 10% nas renúncias sem avaliação — o que renderia cerca de R$ 80 bilhões, valor suficiente para compensar a perda provocada pela derrubada da MP. O texto também prevê a criação de um Conselho de Avaliação de Gastos Tributários, com participação da Receita Federal, TCU, Ipea e sociedade civil, além de um painel público para dar transparência aos incentivos.

VEJA TAMBÉM:

EITA LAPADA – O desabafo tocante de Jandira Feghali ao bloqueio da MP que taxava bancos, bets e bilionários; assista

PERVERSOS – Centrão barra taxação sobre investimentos bilionários e tira R$ 35 bilhões da população

Pressão popular garante isenção do IR até R$ 5 mil e taxação dos super-ricos

PROTEGENDO BILIONÁRIOS: Para aprovar isenção do IR, direita quer diminuir investimentos em saúde e educação

Clique aqui e siga-nos no Facebook

Mais lidas