” border=”0″ alt=”Policial militar Amilton Junior (Foto: Print-Vídeo/Montagem Redação CFF)” title=”Policial militar Amilton Junior (Foto: Print-Vídeo/Montagem Redação CFF)” />
O policial militar Amilton Junior, que mora em Camaçari e atua na Região Metropolitana de Salvador, denunciou nesta sexta-feira (29) a circulação de imagens de exploração sexual envolvendo crianças e adolescentes em Camaçari. Em um vídeo publicado no seu perfil no Instagram, ele relatou episódios que descreveu como os mais impactantes de sua carreira.
“É a pior coisa que eu já vi. Não é um filme, não é uma história. É real, aqui, na nossa cidade”, afirmou. Segundo Amilton, durante abordagens policiais, foram encontrados celulares pertencentes a dois jovens com conteúdo envolvendo vítimas com idades entre 4 e 15 anos, mas a legislação impede o uso direto dessas provas: “Quando o policial faz a abordagem, ele não pode ter acesso ao celular. Aquela prova é ilegal. Qualquer advogado derrubaria a prisão. Mas ver isso e não poder agir é desesperador.”
De acordo com o policial, o conteúdo do aparelho revela trocas de mensagens, incluindo conversas em grupo, que mostram “meninas de 4, de 5, de 7, de 11, de 15 anos, em cenas absurdas, cenas de sexo, vídeos de sexo. As crianças chorando, sangrando, extremamente machucadas, estupradas de verdade”. Segundo Amilton, a maioria das vítimas são moradoras do Phoc 1 e, em alguns casos, parece haver conivência das famílias.
Amilton também revelou um comportamento que sugere uma rede de pedofilia atuando na cidade: “E como eles vão na caça, de Instagram em Instagram, em rede [social] em rede [social], pegam a foto das meninas, colocam no grupo e depois elas… (…). Eu não sei como isso acontece, parece que essas meninas não têm família, é uma coisa absurda.”, narrou.
Em outro momento do relato, o PM convida pais e responsáveis a “pegar o celular do teu filho e vasculhar, e olhar. Se tiver senha, tira, não existe um menino de 15 anos, que vive com você, de 15, 14, 12 anos, ter senha no celular.” Ele enfatiza a importância de verificar o conteúdo e, caso encontrem algo suspeito, agir imediatamente. “Se o seu filho for um desses agressores, agora eu te peço, como pai, pega ele, leva ele na delegacia. Não tô te pedindo pra abandonar o teu filho, não. Fica com o teu filho em cada depoimento, abraça o teu filho, fala que ama. Mas erros não punidos são erros repetidos.”, reforça.
Uma epidemia silenciosa
O relato de Amilton Junior reflete uma realidade alarmante no Brasil. A violência sexual contra crianças e adolescentes é uma epidemia silenciosa, com números que chocam e que, muitas vezes, são subnotificados. Segundo o Ministério dos Direitos Humanos, o número de casos recebidos pelo Disque 100 saltou de 6.380 em 2020 para 18.826 em 2024, um aumento de 195% em quatro anos.
O Brasil é o 5º entre os países com mais denúncias de abuso sexual infantil, de acordo com o relatório da rede internacional InHope. A maioria dos abusos acontece dentro de casa e por familiares ou conhecidos, que são responsáveis por 68% dos casos de violência sexual contra crianças no Brasil.
Dados do Ministério da Saúde revelam ainda que a violência sexual é mais comum contra crianças de 2 a 5 anos. O país registrou 164,2 mil estupros de crianças e adolescentes em 3 anos. A cada hora, sete casos são registrados.
Como denunciar
Diante de um cenário tão grave, a denúncia é a principal ferramenta para combater o abuso sexual e proteger as vítimas. É fundamental que a sociedade se mobilize e utilize os canais disponíveis:
Disque 100: Serviço gratuito e sigiloso que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. Recebe denúncias de violações de direitos humanos, incluindo abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes.
Conselhos Tutelares: Órgãos municipais responsáveis por zelar pelos direitos de crianças e adolescentes. Devem ser acionados em casos de suspeita ou confirmação de abuso.
Delegacias de Polícia: É possível registrar um Boletim de Ocorrência (BO) em qualquer delegacia. Existem Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e Delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) que oferecem atendimento especializado.
Ministério Público: Pode ser acionado para investigar e processar casos de abuso sexual.
SaferNet Brasil: Canal de denúncias online de crimes e violações de direitos humanos na internet, incluindo pornografia infantil e abuso sexual.
Veja o vídeo

