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“Tudo que eu queria hoje é uma UPA”, declara dinamarquesa sobre serviço de saúde do país

Dinamarquesa relata saudades do SUS
Dinamarquesa relata saudades do SUS | Fonte: Instagram

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Um vídeo compartilhado nesta segunda-feira (5) pela artista dinamarquesa Fefe Life ganhou repercussão ao comparar o sistema de saúde da Dinamarca, onde atualmente reside, com o Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil. No relato, ela descreve a dificuldade de conseguir atendimento de qualidade em saúde, mesmo morando em um dos países mais ricos do mundo. 

“Eu sou dinamarquesa, moro na Dinamarca, já morei no Brasil e tudo o que eu queria hoje é uma UPA”, afirma Fefe no vídeo. Ela relata que está há dois dias com tontura mes, mesmo assim, não conseguiu passar por uma avaliação presencial, já que o modelo de atendimento dinamarquês – comum na Europa –  exige primeiro um contato telefônico com um médico.

“Primeiro eu tenho que ligar para o meu médico e esperar”, conta. Ela relata ter aguardado uma hora para ser atendida por telefone. Após cerca de dois minutos de conversa, recebeu a avaliação de que não havia nada de grave. “Ah, isso não é nada grave, eu tenho certeza disso”, disse que ouviu do médico.

Mesmo ao perguntar se não poderia, ao menos, aferir a pressão arterial, a resposta foi negativa. “E a pressão, podemos medir a minha? Não, não precisa”, reproduz Fefe. Com base apenas na conversa por telefone, a única orientação recebida foi para evitar dirigir e tomar cuidado para não cair. “Não é nada perigoso. Você não tem nada. Só descansa, mas saiba que a tontura pode demorar alguns meses.”, conta ela.

O relato da artista reflete a frustração de quem busca atendimento presencial e diagnóstico com exames. “Eu nem cheguei a ver o médico. Falamos por telefone por dois minutos e nada”, disse. “O que eu não daria para chegar na UPA e pelo menos ver o médico e não ter um médico decidir se eu devo ou não receber um exame.”

Fefe também descreveu o desgaste emocional de tentar justificar a necessidade de exames em um modelo de triagem remota. “Aqui você sente algum sintoma e já está frustrada, porque sabe que vai ter que convencer o médico”, afirmou. “E quando você já não está mal, não é muito legal ter que ficar convencendo, mentindo, fazer qualquer coisa para receber um exame.”

Ao final do vídeo, ela reforça a saudade que sente do sistema brasileiro: “Viva o SUS! Não vejo a hora de voltar [ao Brasil] e poder receber um tratamento, mano, de verdade”, declarou no vídeo.

Viva o SUS!

O SUS, apesar de seus desafios, é um modelo de acesso universal e gratuito, que garante serviços de saúde para milhões de brasileiros. No Brasil, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) funcionam 24 horas por dia, 7 dias por semana, e são parte integrante da Rede de Atenção às Urgências, oferecendo atendimento imediato a casos de dor intensa, febre alta, quedas, traumas leves e outras situações que exigem intervenção rápida. 

Atualmente, segundo dados do Governo Federal, existem 745 UPAs em funcionamento habilitadas pelo Ministério da Saúde, e, somando unidades conveniadas ao SUS, esse total chega a 1.571 estabelecimentos de pronto atendimento espalhados pelo país. 

O SUS é o maior sistema público de saúde gratuito e universal do mundo e desempenha papel central na vida da maior parte da população brasileira. Dados oficiais indicam que 76% da população — o equivalente a cerca de 213 milhões de pessoas — dependem diretamente do SUS para suas necessidades de saúde. Anualmente, o sistema realiza aproximadamente 2,8 bilhões de atendimentos em todas as esferas de cuidado, desde vacinação e consultas de rotina até emergência e procedimentos especializados, e conta com cerca de 3,5 milhões de profissionais em atuação em todo o país. 

Mesmo com desafios conhecidos (como tempo de espera para consultas especializadas ou para exames fora do âmbito de urgência)  e precisando ser fortalecido, o SUS representa um modelo de acesso universal que evita que sintomas comuns ou emergências deixem de ser avaliados por falta de cobertura ou de recursos do usuário.

Veja o vídeo:

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