Os dados estatísticos ainda apontam 200 óbitos em Camaçari, mas, os números reais são maiores. Os exames oficiais para confirmar a causa das mortes ainda não chegaram, mas, mais uma vez, o luto se espalhou por Camaçari.
Apenas no final de semana de 05 a 07 de março mais quatro camaçarienses morreram em decorrência da Covid-19. Um desses casos teve características que o tornaram muito mais doloroso que os demais: a falta de um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) que poderia ter significado a diferença entre a vida e a morte.
Fabiano Souza (Binho) era farmacêutico e religioso. Ele morava no Phoc III e estava internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Gleba A e, durante a semana, a família foi informada que ele precisaria ser transferido para uma UTI. Também foram informados que não havia vaga.
A família iniciou uma campanha nas redes sociais e implorou uma vaga, mas não havia. Nem para Fabiano, nem para outras 45 pessoas que aguardavam pela mesma oportunidade de lutar mais um pouco pela vida. De acordo com a Secretaria de Saúde (Sesau), até a sexta-feira (05) eram 76 pessoas aguardando leitos, 46 delas precisando de uma UTI.
A superlotação de leitos é uma realidade que vem sendo noticiada na cidade desde o final de janeiro. Até mesmo nos hospitais estaduais a situação já começa a ficar crítica. No entanto, até o governo do Estado decretar lockdown e toque de recolher, bares, praias, quiosques, parques e outros locais públicos de Camaçari continuavam cheios de pessoas que não demonstravam nenhum interesse em cumprir as diretrizes de segurança contra a Covid-19.
Como farmacêutico, Fabiano era uma das muitas pessoas que realmente precisava estar fora de casa para trabalhar. As outras três vítimas fatais da Covid-19 em Camaçari foram o músico Junior Fofão Teclas, o médico Ubiramar Araújo e o político e empresário Roquinei Cabeceira.
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