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Recusa familiar ainda dificulta avanço da doação de órgãos na Bahia

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Foto: Divulgação

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O Brasil registrou um recorde de transplantes em 2025, consolidando um avanço histórico no Sistema Único de Saúde (SUS). Na Bahia, o cenário também é de crescimento, mas ainda esbarra em um dos maiores desafios da área: a recusa das famílias em autorizar a doação de órgãos. Dados do Sistema Estadual de Transplantes mostram que, apesar dos 512 procedimentos realizados entre janeiro e junho deste ano, cerca de 70% das famílias abordadas recusaram a doação, um dos maiores índices do país. O percentual dificulta o aumento do número de transplantes e mantém milhares de pacientes à espera de um órgão.

Nos seis primeiros meses de 2026, a Bahia registrou 70 doações de múltiplos órgãos e 438 doações de córneas, totalizando 508 doações. No mesmo período, foram realizados 99 transplantes renais, 26 hepáticos, um transplante duplo, seis cardíacos, 45 de medula óssea e 334 transplantes de córneas, somando 512 procedimentos. A maior demanda permanece pelos transplantes renais, que concentram mais de dois mil pacientes na fila de espera.

Apesar dos avanços registrados nos últimos anos, o coordenador do Sistema Estadual de Transplantes da Bahia, Eraldo Salustiano de Moura, explica que a autorização familiar continua sendo determinante para que a doação aconteça.

“A doação de órgãos no Brasil só ocorre com a autorização da família. Na Bahia, essa recusa no primeiro semestre de 2026 está em torno de 70%, sendo uma das maiores do Brasil. O principal motivo para esta alta taxa é a desinformação e o desconhecimento da sociedade e dos profissionais da saúde sobre este tema”, afirma Eraldo Moura.

Segundo o coordenador, o Estado tem investido na qualificação das equipes que atuam no processo de identificação de potenciais doadores e no acolhimento às famílias. Somente neste ano, cerca de 1.200 profissionais de saúde passaram por capacitações promovidas pela Coordenação do Sistema Estadual de Transplantes.

“A Coordenação do Sistema Estadual de Transplantes vem adotando medidas para reduzir o índice de recusa familiar, principalmente ações relacionadas à capacitação dos profissionais da saúde. Em 2026, cerca de 1.200 profissionais foram capacitados”, afirma Eraldo Moura.

Além de ampliar a conscientização da população, a Bahia também busca fortalecer e descentralizar a rede de transplantes. Atualmente, o estado realiza transplantes de rim, fígado, coração, córneas, osso e medula óssea. Também está em fase de estruturação o serviço de transplante de pulmão.

De acordo com Eraldo Moura, outro avanço é a interiorização dos procedimentos, reduzindo a necessidade de deslocamento dos pacientes para Salvador.

“A Bahia vem se destacando entre os principais estados do Nordeste no número de doações e transplantes. Atualmente realizamos transplantes renais e de córneas em Feira de Santana, de fígado, rim e córneas em Vitória da Conquista, além da implantação do transplante renal em Itabuna e Ilhéus e do transplante renal e de medula óssea em Juazeiro”, afirma Eraldo Moura.

O crescimento registrado no Brasil em 2025 também foi acompanhado pela Bahia, mas, segundo o coordenador, ainda há um conjunto de desafios que precisam ser superados para ampliar o número de transplantes e reduzir o tempo de espera dos pacientes.

“Os principais desafios são reduzir os altos índices de negativa familiar para doação, implantar novos serviços de transplante, capacitar os profissionais da saúde e informar a sociedade sobre todo o processo de doação e transplante”, afirma Eraldo Moura.

Dados do Ministério da Saúde mostram que o país alcançou o maior número de transplantes da história em 2025, resultado atribuído ao fortalecimento da rede pública e ao aumento da captação de órgãos. Na Bahia, a expectativa é manter esse ritmo de crescimento, mas especialistas reforçam que a decisão da família continua sendo essencial para transformar potenciais doadores em vidas salvas. Por isso, orientar familiares sobre o desejo de ser doador ainda é apontado como uma das principais formas de ampliar a oferta de órgãos e reduzir a fila de espera por transplantes.

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