É inverno no Brasil, mas o clima tem reservado surpresas e preocupado, principalmente, os moradores da região Nordeste. Isso porque especialistas alertam para os impactos de um possível Super El Niño na Bahia. O fenômeno climático, que provoca o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, altera os ventos, o regime de chuvas e as temperaturas em diversas partes do mundo. No estado, pode causar fortes chuvas em algumas regiões e secas prolongadas em outras, colocando vidas em risco e provocando prejuízos, sobretudo para o setor agropecuário.
Caso as previsões se confirmem e medidas preventivas não sejam adotadas de forma imediata, especialistas e produtores temem que a agropecuária baiana enfrente um dos cenários mais severos de perdas já registrados em sua história.
Com início em 21 de junho, o inverno na Bahia tem sido marcado por temperaturas acima da média histórica e deve se intensificar nos próximos meses. A estimativa do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) é de que os efeitos mais intensos sejam sentidos na segunda metade da estação, com impacto direto sobre a estiagem no semiárido, o risco de incêndios e o comportamento da vegetação nos diferentes biomas do estado.
A análise do Inema aponta que, enquanto o interior enfrentará o período mais seco do ano, o litoral seguirá sob influência das chuvas de inverno. A combinação entre o sistema de alta pressão subtropical do Atlântico Sul e os ventos de sudeste reforça esse contraste climático entre as regiões baianas.
No entanto, mesmo com a tendência de aquecimento, o inverno ainda deve registrar episódios de frio nas regiões mais elevadas. Na Chapada Diamantina e no Sudoeste baiano, as temperaturas podem ficar abaixo de 10°C durante as madrugadas.
Já no Oeste da Bahia, o destaque é a grande amplitude térmica, com manhãs frias e tardes quentes. Neblina e nevoeiro também devem ocorrer em áreas serranas e de vale, favorecidos pela combinação entre umidade e queda de temperatura.
A atuação do El Niño neste ano também tende a afetar a Caatinga, bioma predominante no território baiano. Árvores e arbustos perdem as folhas para reduzir a perda de água, fenômeno conhecido como deciduidade, que dá origem ao aspecto esbranquiçado da paisagem.
Esse cenário contrasta com o litoral. Nos remanescentes de Mata Atlântica, restingas e manguezais, o inverno representa a estação de maior umidade. O aumento das chuvas estimula o crescimento da vegetação, a frutificação e a renovação foliar.
Para Salvador e a Região Metropolitana, apesar de os maiores volumes médios de precipitação ocorrerem entre abril e maio, o inverno mantém elevada umidade e acumulados de chuva superiores aos observados em boa parte da primavera e do verão.
Entre precipitações acima da média e temperaturas superiores às registradas nos anos anteriores, especialistas apontam que o atual ciclo pode evoluir para um “Super El Niño”, com aquecimento médio de até 3°C no Pacífico Equatorial. Em alguns pontos monitorados pela agência norte-americana NOAA, as anomalias já alcançaram 4°C.
Apesar dos dados apresentados por agências e especialistas, até o momento não há divulgação de ações ou planos específicos para minimizar os efeitos do fenômeno climático sobre a população e a economia da Bahia.

