Bolsonaristas de Camaçari ignoram violações e seguem apoiando atos de Bolsonaro
A direita de Camaçari, que ama falar de bandido de estimação e políticos de estimação, mostrou, mais uma vez, que discurso e prática não se alinham. Ou melhor, que o discurso muda, dependendo de quem é o alvo. Dessa vez, o vereador Jamesson e o pré-candidato a deputado federal, Flávio Matos, ambos do PL, se uniram para fingir amnésia e defender Jair Bolsonaro com meias verdades.
Segundo Jamesson, Bolsonaro foi preso apenas porque seu filho mais velho, Flávio Bolsonaro, organizou uma vigília em frente ao condomínio onde o pai reside. “Se atentem aos detalhes: o ex-presidente Bolsonaro, ele foi preso na manhã de domingo (23/11), porque um dos seus filhos, o Flávio Bolsonaro, convocou uma vigília. Um ato na frente da casa do pai, para que as pessoas pudessem orar a Deus pedindo intercessão pela vida do ex-presidente”, argumenta. No entanto, o vereador, que é bastante conhecido pelas narrativas enviesadas, parece ter esquecido que, enquanto a vigília ocorria na rua, dentro de casa, Bolsonaro-pai tentava abrir a tornozeleira eletrônica usando um ferro de solda, como ele mesmo confessou à Polícia Federal (PF).
Naturalmente, a PF considerou que as duas coisas acontecendo ao mesmo tempo no mesmo lugar poderia ser um esquema de tentativa de fuga (pouco inteligente, por sinal) e o ministro Alexandre ordenou a prisão preventiva.
“Vocês compreendem o que está acontecendo no Brasil? As injustiças que estão sendo cometidas em nome da política, em nome da eleição, em nome de afastar uma pessoa da eleição de 2026?”, questionou Jamesson em vídeo divulgado no Instagram, deliberadamente ignorando a tentativa de abrir a tornozeleira, assim como a confissão de participação no processo de golpe que pretendia assassinar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin, e o ministro Alexandre de Moraes, entre outras coisas.
Com a mesma dificuldade de memória e esquecendo a farta quantidade de violações apontadas pelo STF, Flávio, o Matos, voltou a falar em perseguição. “A prisão do ex-presidente Bolsonaro escancara uma perseguição política que já passou do limite. Quando o judiciário usa seu poder como arma para um lado e escudo para outro, isso deixa de ser justiça e vira abuso. O povo não é bobo: a democracia enfraquece, a confiança acaba e quem paga a conta é o Brasil”, protestou o pré-candidato a deputado, em publicação nas suas redes sociais.
A fala de Flávio Matos é emblemática e escancara a hipocrisia, haja vista que ele não se incomodou nem brigou quando, em 2018, o judiciário efetivamente usou seu poder como arma para prender Lula, antes mesmo de qualquer condenação – ao contrário de Bolsonaro, que respondeu em liberdade durante os quase dois anos do devido processo legal. O povo não é bobo mesmo, e consegue ver quem tem político criminoso de estimação.
Por falar em estima, a coincidência das postagens abriu margem para um questionamento diferente: será que Jamesson passará a apoiar a candidatura de Flávio ou o clima de “inimigo do meu inimigo é meu amigo” só valerá para pautas nacionais?
Outros nomes que fizeram campanha para o ex-presidente no município, como o vereador Dr. Samuka (PRD), a ex-vereadora Cristiane Bacelar (PL) e o ex-prefeito Antônio Elinaldo (União), evitaram comentar sobre o tema, em mais uma demonstração de cisão da direita camaçariense.

