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Peixes de espécie invasora com veneno neurotóxico são encontrados em praias de Salvador

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Peixes de espécie invasora com veneno neurotóxico são encontrados em praias de Salvador (Foto: Reprodução)

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A espécie marinha invasora e venenosa conhecida como peixe-leão foi encontrada em praias de Salvador. No último sábado (5), pelo menos dois animais foram capturados no Porto da Barra, uma das principais praias da capital baiana.

A presença da espécie tem preocupado mergulhadores pela proximidade com áreas frequentadas por banhistas. O peixe-leão possui espinhos venenosos e, além dos riscos à saúde humana, representa uma ameaça aos ecossistemas marinhos por ser um predador voraz de espécies nativas.

O instrutor de mergulho Robson Oliveira conta que já encontrou diversos peixes da espécie na capital. Segundo ele, a primeira captura ocorreu há aproximadamente nove meses, também no Porto da Barra.

“De lá pra cá, a população de peixe-leão cresceu bastante e já está sendo avistada em vários pontos da Baía de Todos-os-Santos. Já encontramos peixe-leão no Farol da Barra e em Boa Viagem. O peixe-leão aqui em Salvador foi descoberto através do mergulho de cilindro”, contou.

A aproximação dos animais das praias é uma das principais preocupações. “Estamos encontrando cada vez mais perto dos banhistas. Isso traz uma preocupação muito grande devido à sua peçonha”, acrescentou Robson.

Predador ameaça espécies nativas

Originário da região do Indo-Pacífico, o peixe-leão (Pterois volitans) é considerado uma espécie invasora no Atlântico. O animal se alimenta de peixes e pequenos crustáceos nativos e não possui predadores naturais na região, o que favorece a expansão de sua população.

A espécie já mobiliza autoridades ambientais em outras regiões do litoral baiano. Em Porto Seguro, a primeira ocorrência foi confirmada em junho deste ano, no Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora.

Desde então, quase 500 peixes foram retirados do mar em cerca de um mês. O município também criou um Plano Municipal de Ação para o Enfrentamento ao Peixe-Leão, com medidas de monitoramento, captura, pesquisa e prevenção de acidentes.

Diante do avanço da espécie no litoral, a Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema) iniciou ações de capacitação para o manejo seguro do peixe-leão.

Salvador recebeu o Curso de Manejo Seguro do Peixe-Leão, que reuniu gestores públicos, pesquisadores, pescadores artesanais, mergulhadores e outros profissionais que atuam no litoral. A programação também teve continuidade em Itaparica.

A capacitação busca qualificar os participantes para identificar, monitorar, registrar, capturar, transportar e dar destinação adequada à espécie, além de orientar sobre prevenção e resposta a acidentes.

Segundo a oceanógrafa Mariana Fontoura, coordenadora-técnica do Programa de Gerenciamento Costeiro da Sema (Gerco), a participação de diferentes profissionais amplia a capacidade de resposta diante da presença do animal.

“Quando a gente envolve diferentes atores, a gente tem uma maior amplitude de resultados. A gente consegue uma maior escala”, explicou.

Risco de envenenamento

O peixe-leão possui espinhos venenosos e o contato com o animal pode causar dor intensa, inchaço, vermelhidão e sensação de queimação. Também podem ocorrer náuseas, vômitos, tontura e mal-estar.

A Salvamar orienta banhistas e mergulhadores a não tocarem no animal. Em caso de avistamento, a recomendação é informar imediatamente às equipes de salvamento aquático.

Caso ocorra uma ferroada, a pessoa deve sair do mar imediatamente para evitar riscos de afogamento e procurar atendimento médico o mais rápido possível.

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