A Secretaria da Segurança Pública (SSP) deflagrou, nesta sexta-feira (3), mais uma operação com foco no combate às facções criminosas. A ação integrada com as Secretarias Estaduais de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) e a Polícia Civil da Bahia’, intitulada ‘Operação Sintonia de Gravata, é voltada para grupos com atuação no sistema prisional.
Ao todo, foram cumpridos 22 mandados de prisão preventiva em seis municípios baianos. A ação investiga a atuação de grupos criminosos envolvidos com tráfico de drogas, aquisição, circulação, posse e guarda de armas de fogo, além da articulação entre integrantes custodiados e agentes em liberdade.
No âmbito da operação, também foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Eunápolis, com diligências nos municípios de Serrinha, Salvador, Camaçari, Barreiras, Feira de Santana e Lauro de Freitas.
Durante o cumprimento das medidas judiciais, foram apreendidos notebooks, celulares e diversos documentos que poderão contribuir para o aprofundamento das investigações e para a identificação da eventual participação de outros envolvidos.
Além das buscas e apreensões, a Justiça determinou ainda a indisponibilidade de ativos financeiros dos investigados até o limite mínimo de R$ 10 milhões, além do bloqueio de veículos, bens imóveis, embarcações e aeronaves, com o objetivo de impedir a movimentação de recursos vinculados às atividades ilícitas.
Participaram da operação mais de 100 profissionais. De acordo com os promotores de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), as investigações identificaram a atuação de facções criminosas estruturadas e com atuação regional, responsáveis pela prática de tráfico ilícito de entorpecentes, circulação de armas de fogo e articulação entre grupos criminosos, com reflexos diretos na segurança pública baiana.
Os elementos reunidos indicam que essas organizações mantinham um sofisticado esquema de comunicação clandestina que permitia a continuidade das atividades criminosas, mesmo com lideranças custodiadas em unidade prisional de segurança máxima, por meio de um núcleo externo responsável por intermediar a transmissão de ordens entre integrantes presos e membros em liberdade.
Atuação de advogados
A investigação teve como objeto a atuação de advogados que, mediante abuso das prerrogativas da classe, teriam burlado o isolamento e a incomunicabilidade com o meio externo impostos em presídio de segurança máxima, com a finalidade de viabilizar a gestão de facções criminosas por suas lideranças presas, que também foram alvos das medidas.
A continuidade das apurações indicou que esses profissionais exerciam papel estratégico na transmissão de mensagens, na consolidação de decisões e no acompanhamento das atividades criminosas.
Segundo a polícia, esse fluxo de comunicação permitia às lideranças das facções, mesmo presas, participar da gestão do tráfico de drogas, da comercialização de entorpecentes, da aquisição e circulação de armas de fogo, da movimentação de recursos financeiros e da resolução de conflitos internos, evidenciando uma estrutura organizada, hierarquizada e dividida por funções.
O grupo teria conseguido contornar os mecanismos de isolamento previstos no sistema prisional, mantendo ativa uma rede de transmissão de ordens que contribuiu para a continuidade das práticas criminosas e para o fortalecimento dessas organizações.

