Derrotado na disputa pela Prefeitura de São Paulo no ano passado, Pablo Marçal (PRTB) vinha afastado do debate político nacional e até das redes sociais. Ainda assim, voltou a entrar no radar ao conceder uma entrevista à Folha de S.Paulo, marcada por um tom muito mais contido que o habitual, distante das performances e frases estudadas para viralizar que marcaram sua campanha.
Em um dos trechos divulgados pela Folha no Instagram, Marçal reconhece a forma e influência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Do jeito que tá hoje, o cenário desenhado, travado do jeito que tá hoje, o Lula não perde pra ninguém. Zero chance. Porque, infelizmente, né, eu vou falar assim, infelizmente o Lula é o político mais influente da história”, admite.
No entanto, Marçal também enxerga uma vulnerabilidade da esquerda, na força de Lula. “A parte boa é que como o Lula é a única esperança, ele não tá formando ninguém, não tem ninguém ali com ‘pancho’ pra isso”.
Em outro trecho, Marcal também criticou o mesmo nível de dependência que a direita, segundo ele, ainda tem de Jair Bolsonaro. Para Marçal, nenhum nome apresentado até agora se consolidou como alternativa competitiva. “O problema é que a vida está tão ruim que a opção acaba sendo a menos pior. Pra mim, não tem que ser nenhum dos que estão aí. O problema da ansiedade da política é que todo mundo acha que tá aí as opções e as opções não estão aí”, afirmou, ao dizer que torce pela ascensão de um “outsider” e que novas lideranças ainda precisam surgir.
A crítica incluiu figuras com quem ele já dialogou politicamente. Marçal citou Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes, respectivamente governador e prefeito de São Paulo, como nomes que, na avaliação dele, precisam desenvolver protagonismo próprio para não permanecerem dependentes da figura de Bolsonaro. “Tem que ter luz própria, assumir o protagonismo. Fica todo mundo refém de Bolsonaro”, disse.
Ainda no campo das críticas, Marçal não poupou o Movimento Brasil Livre (MBL), grupo com o qual já teve embates públicos. Marçal descreveu o movimento como “adolescente” e distante dos problemas reais da população. “Aquela galera que não tem uma dor de cabeça na vida, nunca ajudou um filho com bronquite a dormir, não tem uma esposa, só tem menino viajante ali, mochileiro, nada a ver com o povo.”, afirmou. Mesmo assim, sobrou um elogio para o deputado federal Kim Kataguiri, líder do MBL. “Kim como deputado é bom. Como deputado ele é relevante. O resto é jogador de videogame, é firulento, é um frango na vida, coitado”, finalizou.
A presença de Pablo Marçal na Folha, após meses de relativo ostracismo político, também ilustra o cenário eleitoral: há uma disputa aberta pelo que restou do bolsonarismo e por um público evangélico em busca de novos “Messias”.
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