O resgate de 163 crianças e adolescentes nos Estados Unidos durante uma operação contra exploração infantil e tráfico de pessoas abriu uma nova possibilidade para famílias brasileiras que convivem há meses com o desaparecimento dos filhos. Entre os casos que agora despertam atenção estão os dos irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael, de Bacabal, no Maranhão, e do pequeno José Arthur, de Eldorado dos Carajás, no sudeste do Pará.
No Maranhão, a novidade surgiu nesta terça-feira (8), quando a Interpol entrou em contato com a família de Ágatha e Allan. Os irmãos desapareceram em janeiro e, desde então, o paradeiro deles permanece desconhecido. A mãe das crianças, Clarice Cardoso, foi chamada para uma reunião com representantes do Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal e da Interpol.
O encontro está marcado para a manhã desta quarta-feira (9), na sede da Polícia Federal, em São Luís. A reunião deve servir para esclarecer de que maneira os mecanismos de cooperação internacional poderão ser utilizados na investigação e para verificar informações relacionadas às crianças localizadas nos Estados Unidos.
Há possibilidade de os irmãos estarem entre os menores resgatados, porém, ainda não foi confirmada pelas autoridades. O acompanhamento também envolve o Consulado do Brasil nos Estados Unidos, que participa das verificações junto às autoridades americanas. A expectativa da família é que o cruzamento de informações ajude a esclarecer se algum dos menores encontrados durante a operação é brasileiro.
Família de José Arthur também quer buscas nos EUA
A repercussão da operação americana também trouxe uma nova esperança para a família de José Arthur, menino de 5 anos desaparecido desde março em Eldorado dos Carajás. O advogado que acompanha o caso solicitou que as autoridades brasileiras façam uma checagem sobre as 163 crianças encontradas nos Estados Unidos.
A intenção é cruzar os dados dos menores resgatados com as informações de José Arthur e verificar se existe alguma possibilidade de identificação. A defesa também informou que pretende acionar o governo brasileiro para intermediar o contato com as autoridades dos Estados Unidos e viabilizar as buscas relacionadas ao menino. Até o momento, no entanto, o advogado ainda não recebeu retorno do governo brasileiro sobre essa solicitação.
No caso de José Arthur, a defesa considera importante que as informações sejam verificadas mesmo sem qualquer confirmação prévia de que o menino esteja nos Estados Unidos. O pedido é justamente para que os dados dos menores encontrados sejam confrontados com os registros de crianças desaparecidas.
José Arthur desapareceu em março, enquanto estava na Vila Peruana, na zona rural de Eldorado do Carajás. Desde então, buscas e investigações foram realizadas na região, mas o paradeiro da criança continua sem resposta.
Tanto no Maranhão quanto no Pará, a operação nos Estados Unidos representa uma nova frente de apuração, mas não significa que as crianças tenham sido encontradas. Entretanto, para ambos os casos, não há confirmação que as crianças estejam em território norte-americano.

