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Eleitor escolhe o menos pior em vez do candidato ideal

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Foto: Romildo de Jesus

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Em meio às convenções partidárias que oficializam candidaturas e terminam na próxima semana, uma sequência de pesquisas eleitorais trouxe um retrato interessante do eleitorado. Os principais institutos estiveram em campo para captar o sentimento do eleitorado a pouco mais de 15 dias do início da campanha. Entre tantos números divulgados, um deles chamou minha atenção. Embora as eleições sejam tratadas como o momento em que o eleitor confirma convicções, boa parte dos brasileiros indica que vai chegar às urnas movida por uma lógica bem diferente.  

A pesquisa Nexus/BTG Pactual mostra isso de forma bastante clara. Entre os eleitores que já definiram o voto para presidente no primeiro turno, 52% afirmam ter encontrado o candidato que realmente desejam votar. O restante admite algum grau de insatisfação. São 36% que dizem escolher a melhor opção disponível e outros 10% que votarão apenas para evitar a vitória de um adversário. 

Não é um mero detalhe estatístico. Significa que quase metade dos eleitores deposita o voto sem se sentir plenamente representada. A decisão deixa de nascer da identificação com um projeto e passa a refletir uma escolha possível diante das circunstâncias. 

Esse dado ajuda a entender parte do cenário de 2026. A direita chega ao processo eleitoral com vários nomes disputando um espaço semelhante. Em vez de ampliar sua força, a pulverização fragmenta votos e dificulta a formação de uma candidatura capaz de reunir esse eleitorado. Ao mesmo tempo em que adversários disputam espaço entre si, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanha um ambiente em que, em meio às denúncias do Caso Master, o nome de Flávio Bolsonaro vê aliados desembarcarem da candidatura. Por isso, existe um sentimento entre os petistas de que há a chance de a fatura ser liquidada no primeiro turno.

Há outro movimento que merece atenção. Nos últimos anos, o bolsonarismo reorganizou a direita brasileira, redefiniu lideranças e alterou estratégias eleitorais. Agora, as pesquisas sugerem uma mudança mais sutil. Parte do eleitorado continua fazendo oposição ao PT, mas já não demonstra a mesma disposição de associar esse posicionamento automaticamente ao sobrenome Bolsonaro. É o que nos mostra a análise dos índices de rejeição.

É fato que o sentimento antipetista continua forte e segue influenciando milhões de eleitores. De olho nesse filão do eleitorado, lideranças estaduais e nacionais procuram construir caminhos próprios distante do bolsonarismo, buscando ampliar o diálogo com eleitores que compartilham posições conservadoras ou liberais, mas preferem nomes menos associados aos conflitos que marcaram os últimos anos.

A 65 dias do primeiro turno, a polarização continua dando as cartas na disputa nacional, mas ela já não explica tudo. Para muitos brasileiros, o voto deixou de representar uma escolha entusiasmada e passou a ser, sobretudo, uma forma de impedir a vitória do campo adversário. 

Quando a rejeição ocupa esse espaço, as propostas tendem a perder relevância. Economia, segurança, educação, saúde e reformas estruturais ficam em segundo plano. O debate  político passa a girar mais em torno da identidade dos candidatos do que dos projetos que apresentam. E todos nós saímos perdendo.

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