Por: A Tarde
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)foi surpreendido na manhã deste sábado, 22, pela Polícia Federal, que cumpriu a sua prisão preventiva às 6h.
Sem chamar a atenção dos vizinhos, os agentes entraram no Condomínio Solar de Brasília, localizado no bairro do Jardim Botânico, e cumpriram a ordem determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com o intuito de manter a garantia da ordem pública, devido a uma manifestação prevista para ocorrer próximo ao local, orquestrada pelo seu filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O que causou curiosidade na expedição da custódia do ex-presidente deve-se ao não uso das algemas, de acordo com o documento disponibilizado pela Corte, que o Portal A TARDE teve acesso.
“A medida deverá ser cumprida com todo o respeito à dignidade do ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro, sem a utilização de algema e sem qualquer exposição midiática, ficando a seu critério a utilização ou não de uniforme e respectivos armamento.” Alexandre de Moraes – ministro do STF
Após deixar a residência de Bolsonaro, o ex-mandatário foi levado à superintendência da PF, também na capital federal, onde passou por exame de corpo de delito e aguarda a audiência de custódia.
A audiência de custódia do ex-mandatário será realizada no domingo, 23, às 12h, por videoconferência, de acordo com decisão de Moraes que A TARDE teve acesso.
O motivo da prisão
O motivo da prisão preventiva do ex-presidente leva em conta o chamamento de vigília feito pelo seu filho, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por meio das redes sociais.
O parlamentar convocou apoiadores e aliados do ex-mandatário para um ato, próximo à casa do pai, às 7h.
Veja
Na decisão, Moraes também cita uma tentativa de violação da tornozeleira eletrônica do ex-presidente por volta da 00h08, de hoje, como uma tentativa de fuga durante o ato de oração.
Cela de Bolsonaro
Custodiado na sede da PF, a sela que receberá o ex-presidente dispõe das seguintes coisas:
Cama;
Banheiro privativo;
Mesa de escritório.
Até o momento, o destino onde o político cumprirá a pena preventiva ainda é incerto.
Pena de 27 anos e três meses de prisão
Apesar de ter sido condenado a 27 anos e três meses de prisão no âmbito do inquérito da trama golpista pelo próprio STF, a prisão de hoje não inicia o cumprimento desta pena, e sim, está relacionada a garantia da ordem pública.
No pedido de prisão, o magistrado alertou sobre a possível “fuga” do ex-mandatário em meio à aglomeração que se formaria próximo ao condomínio de Bolsonaro devido à vigília.
O tumulto causado pelos apoiadores do réu condenado tem alta possibilidade de colocar em risco a prisão domiciliar imposta e a efetividade de medidas cautelares. Alexandre de Moraes – ministro do STF
Prisão domiciliar
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) já cumpria a ordem de prisão domiciliar também por ordem do próprio Moraes, no dia 4 de agosto. Em casa, o político cumpria as seguintes medidas cautelares:
Proibição de usar celular;
Proibição de manter contato com pessoas investigadas;
Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica;
Proibição de acessar embaixadas e consulados;
Proibição de manter contato com embaixadores e autoridades estrangeiras;
Proibição de utilizar redes sociais, direta ou indiretamente, inclusive por meio de terceiros.
A prisão de Bolsonaro foi determinada depois que ele descumpriu várias regras foram impostas no inquérito que investigou a atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) contra o sistema Judiciário. Nesse processo, Eduardo, filho do ex-presidente, foi denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

