Resumo sobre a saúde cardiovascular das mulheres
Mais de 30% das mortes femininas no Brasil são causadas por doenças cardiovasculares, segundo a OMS.
Na Bahia, essas doenças representam 18% dos óbitos femininos, superando câncer e outras enfermidades.
Sintomas atípicos em mulheres, como falta de ar e fadiga, dificultam o reconhecimento de eventos cardíacos.
Principais fatores de risco incluem histórico familiar, hipertensão, diabetes e condições específicas como menopausa.
Importância da prevenção: controle da pressão, colesterol, atividade física e acompanhamento médico periódico.
Além da importância histórica e social, o Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo, 8 de março, serve de alerta para causas essenciais relacionadas à saúde. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 30% das mortes em femininas no Brasil são causadas por doenças cardiovasculares.
O número é elevado pois, além dos principais fatores para o desenvolvimento comuns a ambos sexos, as mulheres apresentam particularidades biológicas, hormonais e sociais que podem complicar a saúde do coração.
Na Bahia, esse tipo de doença representa cerca de 18% dos óbitos femininos, à frente de câncer e outras enfermidades crônicas.
Visando estimular a prevenção e atenção aos sinais de alerta, e para entender os fatores encadeadores, o portal A TARDE conversou com Rodolfo Dourado, cardiologista e coordenador da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) cardiológica do Hospital da Bahia.
Segundo o especialista, os sintomas clássicos do infarto são dores fortes no peito, irradiando para braço, mandíbula e dorso, mas nas mulheres, também é necessário atenção a outros sinais.
“As mulheres apresentam com maior frequência sintomas denominados atípicos em relação aos homens. Por causa disso, às vezes, demoram mais de reconhecer que estão tendo um evento cardíaco. Isso pode atrasar o atendimento e, sobretudo, piorar o desfecho e o prognóstico, uma vez que quanto mais precoce for o atendimento, melhor o resultado do desfecho”, explicou.
Assim, é preciso se atentar a fatores como:
Falta de ar;
Fadiga sem correlação esforço físico;
Sudorese profusa;
Náuseas;
Vômitos;
Dor na região do epigástrio (parte superior central do abdome, situada entre as costelas e acima do umbigo);
Tontura;
Mal estar súbito;
Dor torácica de menor intensidade;
Queimação.
Principais causas de doenças cardiovasculares em mulheres
Os principais fatores de risco se apresentam da mesma forma entre homens e mulheres e são divididos em não modificáveis e modificáveis. No entanto, há condições relacionadas apenas ao público feminino. Entenda a classificação:
Não modificáveis
Histórico familiar;
Carga genética;
Idade
Modificáveis
Hipertensão;
Diabetes;
Colesterol alto;
Sobrepeso;
Obesidade;
Sedentarismo;
Tabagismo;
Estresse;
Noites mal dormidas.
“Além disso, nas mulheres há o estresse crônico como um fator de risco. A gente tem o caso de mulheres que, muitas vezes, enfrentam dupla jornada com domicílio e trabalho”, pontuou o cardiologista.
Há ainda as particularidades que influenciam diretamente às doenças do coração em mulheres, como menopausa, gravidez, síndrome do ovário policístico e uso de contraceptivos orais.
“Na menopausa, a mulher passa por uma queda de produção de estrogênio e tem um aumento significativo do risco cardiovascular […] Durante a gestação, a mulher pode ter alguns quadros clínicos que aumentam o seu risco, como pré-eclâmpsia, eclâmpsia, diabetes, hipertensão gestacional ou parto prematuro”, destacou Rodolfo.
Risco em todas as idades
A incidência cardiovascular aumenta com a idade, mas as jovens também estão sob risco, sobretudo com o aumento de infartos em mulheres com menos de 50 anos. Usualmente, esses casos estão associados a fatores clássicos como obesidade, sedentarismo, tabagismo, estresse e diabetes.
“Mas temos algumas condições que podem estar associadas a mulheres jovens, especificamente, que são doenças autoimunes, quadros de espasmos coronarianos, que não é uma doença terosclerótica, não é uma placa que obstruiu o vaso, mas é uma hipercontratilidade da camada média que leva a um espasmo do vaso”, explicou o médico.
Por isso, independente da idade, sempre que houver um incômodo, é importante não negligenciar e procurar um médico imediatamente.
Como prevenir?
A mulher precisa ter atenção, porque o quadro cardiovascular pode acontecer mesmo na ausência de fatores de risco clássicos. Portanto, a melhor forma de cuidado é a prevenção, através do controle adequado e promoção à saúde como:
Controlar a pressão;
Fiscalizar o colesterol;
Monitorar a glicemia;
Manter um peso adequado;
Praticar atividade física regularmente, sobretudo as aeróbicas com, pelo menos 120 minutos por semana;
Não fumar;
Ter boa qualidade de sono;
Seguir uma alimentação equilibrada;
Controlar o estresse;
Ter atividades de lazer regularmente;
Realizar acompanhamento médico periódico.
Para mulheres que já engravidaram, é importante ainda considerar a história obstétrica, principalmente se houve quadro de complicações.
“A doença cardiovascular foi por muito tempo, associada ao homem de meia idade, mas não é uma doença masculina”, finalizou o cardiologista Rodolfo Dourado.

