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DENÚNCIA – Colchões sujos e áreas insalubres: centro terapêutico em Camaçari é alvo de inquéritos por homicídio, maus-tratos e outros crimes

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Colchões rasgados, muita sujeira e condições insalubres (Foto: Reprodução)

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Colchões rasgados, muita sujeira e condições insalubres, é assim que vivem os internos do Centro Terapêutico Família Camaçari. É o que apontam denúncias contra a instituição localizada no distrito de Monte Gordo, distrito de Camaçari. O centro é investigado por crimes que envolvem desde maus-tratos e condições análogas à escravidão até homicídio e estupro. A Polícia Civil (PC) confirmou que já registrou oito denúncias contra a instituição entre os anos de 2022 e 2026, que resultaram em seis inquéritos policiais. Além disso, o ógão também investiga uma morte no local que aconteceu no último sábado (21).

Nas redes sociais, o Centro Terapêutico Família se apresenta como um “ambiente acolhedor, confortável e tranquilo, com estrutura semelhante a um resort, pensado para o bem-estar dos pacientes”. No perfil da instituição no Instagram, aparecem ainda publicações sobre “Jet terapia”, com o uso de jet ski, atividades na piscina e contato com animais. No entanto, imagens das instalações revelam um cenário de abandono.

Nos registros é possível ver colchões rasgados, sujos e banheiros em condições insalubres. A mesma situação é vista em um espaço que parece uma cozinha, com muita sujeira e panelas encardidas.

De acordo com a Polícia Civil, há registros de inquéritos pelos crimes de maus-tratos, homicídio e dano. “Seis inquéritos foram instaurados na 33ª Delegacia Territorial (DT/Monte Gordo), sendo cinco já remetidos ao Poder Judiciário, com três indiciamentos. Outro procedimento tramita na 4ª Delegacia de Homicídios (DH/Camaçari), responsável pela investigação da morte de Aline da Silva Fernandes, de 43 anos, que era interna do local ocorrida no sábado (21)”, apontou a PC.

No entanto, em um levantamento feito através da plataforma Processo Judicial Eletrônico do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJ-BA) com o CNPJ do centro terapêutico foram constatados ainda processos relacionados a crimes contra a liberdade pessoal e redução a condição análoga à de escravo; crimes contra a dignidade sexual, estupro; além de despejo por inadimplemento.

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) foi procurado pela reportagem, mas informou que “o processo tramita na Justiça sob sigilo”. O Ministério Público do Trabalho (MPT) também foi procurado para falar sobre o crime de condição análoga à de escravo, mas ainda não retornou. A reportagem também procurou a administração do Centro Terapêutico Família Camaçari através do telefone disponível em suas redes sociais, mas não teve retorno. O espaço segue aberto.

Briga terminou em morte

No último sábado (21), uma paciente do centro, identificada como Aline da Silva Fernandes, internada há apenas um dia no local, foi morta por outra interna após um desentendimento. Segundo a Polícia Civil, a briga entre as pacientes resultou em uma agressão física contra a vítima. A identidade da suspeita do golpe não foi revelada pelas autoridades.

Ainda segundo o órgão, após o ocorrido, a equipe da unidade tentou realizar manobras de reanimação, mas sem sucesso. Aline foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Arembepe, onde o óbito foi oficialmente constatado. O caso agora é investigado pela 4ª Delegacia de Homicídios (DH/Camaçari).

Também através das rede sociais, a administração do Centro Terapêutico Família Camaçari informou que “a equipe da clínica prestou imediato atendimento, adotando todas as medidas emergenciais cabíveis no momento do ocorrido”. Na nota, a instituição afirmou que colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.

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