” border=”0″ alt=”Entre janeiro e julho deste ano, o Canal Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos registrou 49.336 denúncias anônimas de abuso e exploração sexual infantil (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)” title=”Entre janeiro e julho deste ano, o Canal Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos registrou 49.336 denúncias anônimas de abuso e exploração sexual infantil (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)” />
A violência sexual contra crianças e adolescentes na internet atingiu um nível alarmante em 2025. Um relatório inédito da SaferNet Brasil revela que o número de denúncias disparou e aponta uma nova ameaça: o uso da inteligência artificial para criar material de abuso sexual infantil, inclusive por meio de imagens sintéticas conhecidas como deepfakes.
Entre janeiro e julho deste ano, o Canal Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos registrou 49.336 denúncias anônimas de abuso e exploração sexual infantil, correspondendo a 64% de todas as notificações recebidas no período. O crescimento é de quase 19% em relação ao mesmo período de 2024, confirmando a tendência de agravamento do problema.
Somando os 19 anos da série histórica, até dezembro de 2024, a SaferNet já havia acumulado 4,9 milhões de denúncias — sendo 2,1 milhões apenas de links contendo pornografia infantil. Agora, os primeiros meses de 2025 já indicam que o tema voltou com força à pauta social e política.
O relatório também destaca dois fatores que explicam esse salto: a mobilização causada pelo vídeo “Adultização”, do influenciador Felca, que viralizou em agosto e desencadeou um recorde histórico de notificações; e a produção de conteúdos de abuso por inteligência artificial, cada vez mais realistas e de difícil detecção.
O que são deepfakes e por que eles são perigosos
Deepfake é uma tecnologia baseada em inteligência artificial capaz de manipular fotos e vídeos para simular situações falsas de forma extremamente convincente. No contexto da exploração sexual infantil, criminosos utilizam imagens reais comuns de crianças e adolescentes — muitas vezes retiradas das próprias redes sociais — para gerar conteúdos pornográficos inexistentes, mas que parecem reais.
Além disso, também é possível criar imagens totalmente sintéticas, sem referência a um material original, mas que reproduzem de forma hiper-realista a aparência de crianças. Além de fotos com poses inadequadas, é possível gerar vídeos com simulações.
Segundo Juliana Cunha, diretora da SaferNet, esse tipo de prática tem o mesmo potencial de causar danos psicológicos e sociais que imagens de abusos reais. “Tratar conteúdos sintéticos como “menos graves” é um erro. O impacto é comparável ao de abusos com vítimas reais. A IA amplia o alcance da violência e acelera sua circulação em redes sociais, sites e aplicativos de mensagens”, afirma.
O mito da segurança “no quarto”
Um dos alertas mais importantes do relatório é que muitos pais e responsáveis ainda acreditam que, se a criança ou o adolescente está em casa, no quarto, usando o celular ou o computador, eles estão seguros. Essa percepção é equivocada.
A realidade mostra que a maior parte dos abusos online acontece justamente em ambientes privados, quando crianças acessam aplicativos de mensagens, jogos online ou redes sociais sem supervisão.
É nesses espaços que criminosos podem abordar menores, iniciar conversas manipuladoras, ganhar a confiança deles, às vezes se passando por outras crianças, solicitar ou produzir imagens íntimas e compartilhar conteúdos de exploração. Em muitos casos, o assédio ocorre em conversas aparentemente inocentes, em salas de jogos ou grupos de amigos virtuais.
O que pais e educadores podem fazer
Embora seja importante cobrar políticas públicas de proteção online, especialistas reforçam que a proteção das crianças e adolescentes não pode ser delegada apenas às plataformas digitais ou ao poder público. Pais e educadores desempenham um papel central:
Estar presentes e acompanhar o que os jovens fazem no ambiente online.
Manter diálogos abertos sobre riscos e condutas seguras na internet.
Ensinar a importância de não compartilhar fotos ou informações pessoais, mesmo pelo whatsapp
Incentivar a denúncia de qualquer situação suspeita
E o mais importante: ouvir. O diálogo é sempre a melhor proteção

