Fórum/Ivan Longo
A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (25) mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na dianteira em todos os cenários testados de primeiro turno para 2026. Segundo o levantamento, Lula aparece com cerca de 46% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) varia entre 36% e 42%, a depender do cenário.
O dado mais sensível, porém, está no segundo turno. Na simulação direta entre Lula e Flávio Bolsonaro, o senador aparece com 47,6%, contra 46,6% do atual presidente. A diferença está dentro da margem de erro, de um ponto percentual, configurando empate técnico — mas com vantagem numérica de Flávio.
Para entender melhor o que esses números significam, é possível olhar para o que diziam as pesquisas em outras eleições presidenciais, na mesma época do ano, com características semelhantes, como 2006 e 2014, pleitos de reeleição, e 2022, a última disputa ao Palácio do Planalto.
2022: Lula liderava com folga e vencia no segundo turno
Em março de 2022, as pesquisas já indicavam vantagem consistente de Lula sobre o então presidente Jair Bolsonaro.
Levantamento do Datafolha realizado em 22 e 23 de março de 2022 mostrava Lula com 43% das intenções de voto, contra 26% de Bolsonaro.
No segundo turno, o mesmo instituto apontava Lula com 55%, contra 34% do adversário.
O cenário era de liderança ampla em todas as frentes, o que acabou se confirmando nas urnas, com Lula eleito, ainda que com redução da vantagem ao longo da campanha. O atual presidente venceu Bolsonaro no segundo turno com margem apertada.
2014: Dilma liderava, mas viu vantagem desaparecer
Em março de 2014, a então presidenta Dilma Rousseff aparecia em posição confortável na disputa pela reeleição.
Pesquisa Ibope realizada em 20 de março de 2014 indicava Dilma com 40%, Aécio Neves com 13% e Eduardo Campos com 6%, indicando chances de vitória da petista já no primeiro turno.
Nos cenários de segundo turno daquele momento, Dilma também aparecia à frente de Aécio.
Ao longo da campanha, porém, o cenário mudou profundamente. A entrada de Marina Silva após a morte de Eduardo Campos reconfigurou a disputa, e a eleição terminou extremamente apertada: Dilma venceu com 51,6% contra 48,4%.
2006: Lula já liderava e mantinha vantagem no segundo turno
Em 2006, mesmo após o desgaste provocado pelo caso do “mensalão”, Lula aparecia na frente desde o início do ano.
Pesquisa Datafolha divulgada em fevereiro de 2006 mostrava Lula com 39% das intenções de voto, contra 31% de José Serra.
No segundo turno, o mesmo levantamento indicava Lula com 48%, contra 43% de Serra. Em cenários com Geraldo Alckmin, a vantagem era ainda maior.
Naquele ano, Lula se reelegeu com vitória no segundo turno, derrotando Alckmin.
O que o histórico mostra
A comparação entre os três ciclos revela que a liderança nas pesquisas de março pode indicar tendências relevantes, mas está longe de ser definitiva.
Em 2006, Lula liderava e venceu com folga; em 2014, Dilma liderava e ganhou com margem apertada; em 2022, Lula liderava e venceu, mas com margem menor do que indicavam os levantamentos iniciais.

