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O lançamento do Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas nesta quarta-feira (27), em Brasília, marca um avanço significativo na forma como o Brasil vai lidar com desaparecimentos. A plataforma, desenvolvida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, integra diferentes bases de dados estaduais, distritais e nacional, oferecendo um sistema unificado para facilitar a identificação e localização de pessoas desaparecidas.
O cadastro conta com duas frentes principais: um painel público, acessível a todos, com informações gerais e fotografias das pessoas desaparecidas, e um banco de dados restrito para órgãos de segurança pública, contendo informações detalhadas, incluindo documentos oficiais, que poderão ser usados para investigações e ações de proteção. A expectativa é que a integração reduza atrasos e duplicidades, permitindo respostas mais rápidas e precisas.
O acesso ao painel público do cadastro já está disponível em: https://cnpd.mj.gov.br/painel-publico
Segundo Isabel Figueiredo, diretora do Sistema Único de Segurança Pública, quanto mais cedo o Estado e as instituições tiverem acesso às informações sobre desaparecimentos, maior a chance de localizar as pessoas com vida. “O cadastro unificado permite que os registros sejam feitos imediatamente, sem esperar protocolos que podem atrasar a ação em até 48 horas”, explicou.
O sistema também será integrado às etapas da Mobilização Nacional de Identificação de Pessoas Desaparecidas, conduzida em parceria com os Ministérios da Saúde e do Desenvolvimento e Assistência Social. A primeira fase, iniciada em 2024, envolveu a coleta de material genético de familiares, resultando na identificação de dezenas de desaparecidos. A segunda etapa orienta profissionais de saúde e assistência social sobre como proceder ao receber pessoas impossibilitadas de se comunicar ou sem documentos. A terceira fase, prevista para este ano, focará na análise de impressões digitais de pessoas falecidas não identificadas.
A ativista Ivanise da Silva Santos, mãe de Fabiana, desaparecida há quase 30 anos em São Paulo, participou da solenidade de lançamento da plataforma. Ela afirma que o cadastro representa um marco em sua luta: “A incerteza, a pior dor que existe, é mil vezes pior que a morte. E eu não desejo isso para ninguém.” Kátia Liberato, de Brasília, que busca a mãe desaparecida desde 1999 comemorou a integração de dados como um passo decisivo: “Esse cadastro unificado renova minhas esperanças. Ainda penso em encontrar minha mãe.”, revelou.
De acordo com o secretário nacional de Segurança Pública, Mário Luiz Sarrubbo, a iniciativa reforça o compromisso do Estado com as famílias de desaparecidos e permite políticas públicas mais coordenadas, baseadas em evidências. “Ao final destas três etapas, temos certeza de que vamos diminuir significativamente o número de pessoas desaparecidas, reconstruindo vínculos familiares, sociais e retomando a cidadania e a dignidade dessas pessoas”, afirmou.

